A reforma tributária brasileira já começa a gerar impactos significativos, mesmo durante a fase de testes. Apesar de não haver, ainda, a cobrança imediata dos novos impostos, as empresas estão sendo obrigadas a repensar a forma como gerenciam seus preços, contratos e o capital de giro.
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Essa mudança, impulsionada pelo sistema de “split payment” e pela nova lógica de créditos dos IBS e CBS, exige uma abordagem proativa e estratégica.
Split Payment: Uma Mudança no Fluxo Financeiro
O “split payment” representa uma alteração fundamental no ciclo financeiro das empresas. A nova regra, semelhante ao funcionamento do Pix, separa automaticamente a parcela dos impostos no momento da venda, o que significa que o vendedor recebe apenas o valor líquido da transação, sem a necessidade de manter o montante dos impostos em caixa até o recolhimento.
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Essa mudança impacta diretamente a gestão do capital de giro, reduzindo a disponibilidade de recursos no curto prazo e exigindo ajustes na forma como as empresas lidam com o fluxo de caixa.
Novas Lógicas de Créditos: IBS e CBS
A reforma tributária introduz a não cumulatividade plena nos IBS e CBS. Isso significa que a formação de preços das empresas deixa de se basear apenas na alíquota nominal dos impostos e passa a considerar o equilíbrio entre o imposto devido na venda e os créditos gerados pelas compras.
Essa nova lógica pode gerar conflitos em contratos que não detalham claramente os valores brutos e líquidos, conforme alertado por Marcelo Costa Censoni Filho, sócio do Censoni Advogados Associados e CEO do Censoni Tecnologia Fiscal e Tributária.
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Recomendações e Riscos
Censoni Filho sugere reforçar as cláusulas contratuais, especialmente em contratos de prestação de serviços, e prever mecanismos de regresso em caso de inadimplência fiscal do fornecedor. Além disso, destaca a importância de considerar riscos indiretos, como a possibilidade de decisões de redução de custos gerarem passivos trabalhistas, e a necessidade de atenção à Lei Geral de Proteção de Dados em sistemas fiscais que utilizem dados pessoais de funcionários.
A adaptação à reforma tributária exige, sobretudo, o domínio da lógica de créditos e a capacidade de se ajustar ao novo sistema de “split payment” para evitar a erosão do capital de giro e das margens de lucro.
Conclusão: Adaptação e Planejamento
A transição para a nova reforma tributária representa um desafio complexo para as empresas brasileiras. A capacidade de antecipar os impactos, adaptar os processos e planejar a gestão financeira será crucial para minimizar os riscos e garantir a sustentabilidade do negócio nos próximos anos.
A implementação bem-sucedida da reforma depende, em grande parte, da proatividade e da capacidade de adaptação das empresas.
