A reforma tributária brasileira tem ganhado destaque no universo das micro e pequenas empresas, mas a implementação concreta ainda enfrenta desafios significativos. Um recente levantamento da Serasa Experian, parte do Panorama PME, revela que 42% das empresas brasileiras estão avaliando como as mudanças propostas pela nova legislação podem impactar seus negócios, enquanto outros 40% ainda não possuem clareza sobre o estágio de preparação necessário.
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O estudo, realizado entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, com 1.032 empresários de diversos portes e setores, demonstra um cenário de incertezas e adaptações em curso.
Entre as empresas que já demonstraram uma compreensão mais aprofundada do tema, as percepções são variadas. Cerca de 31% enxergam a reforma de forma positiva, enquanto aproximadamente 22% apresentam uma visão mais negativa. O mercado, portanto, está passando por um período de interpretação e acomodação às mudanças que estão por vir.
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Essa fase de análise e adaptação é crucial para que as empresas possam se preparar para o novo modelo tributário, que entrará em vigor gradualmente.
A implementação da reforma tributária não ocorrerá de forma uniforme. Segundo o estudo, 17% das empresas já implementaram a maior parte das adaptações necessárias, e 15% iniciaram o planejamento com ações práticas. Contudo, 14% ainda estão na fase de estudo, e 14% não tomaram nenhuma iniciativa.
A complexidade do tema e a necessidade de entender as novas regras são os principais obstáculos enfrentados pelos empreendedores brasileiros, conforme ressalta Cleber Genero, vice-presidente de pequenas e médias empresas da Serasa Experian.
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Ao serem questionadas sobre os principais desafios, as empresas identificaram dificuldades que vão além da legislação em si. Compreender as novas regras é o principal obstáculo, citado por 20% dos respondentes, seguido pela necessidade de avaliar o impacto em custos, preços e margens (18%).
O cumprimento correto das obrigações fiscais também preocupa 17% das empresas, assim como o acompanhamento contínuo das mudanças regulatórias (16%). Outros desafios incluem o ajuste de sistemas e softwares (11%), a capacitação de equipes (11%), o acompanhamento de futuras regulamentações (10%), a organização de informações para o período de transição (9%) e a comunicação de mudanças a clientes e fornecedores (8%).
O perfil das empresas respondentes reflete o universo do pequeno empresariado brasileiro. MEIs representam 39% da amostra, microempresas 20% e empresas de pequeno porte 12%. Também participaram médias empresas (11%) e grandes empresas (19%). Em relação ao regime tributário, 46% dos respondentes estão no Simples Nacional, que terá tratamento diferenciado após a adoção do novo modelo, mas a adaptação à lógica de créditos ao longo da cadeia produtiva ainda exigirá atenção das PMEs.
Os demais respondentes estão distribuídos entre Lucro Real (10%) e Lucro Presumido (9%). Por setor, predominam empresas de serviços (45%) e comércio (39%), com participação da indústria (16%). A região Sudeste concentra 36% dos respondentes, seguida por Sul (23%), Nordeste (15%), Norte (14%) e Centro-Oeste (10%).
