Em 2026, o Relógio do Juízo Final, um símbolo que acompanha a humanidade desde 1947, apontava para a menor distância possível da meia-noite. Essa marca, que representa a proximidade de um colapso civilizacional, estava a apenas 85 segundos. O conselho responsável por manter o indicador, o Conselho de Ciência e Segurança do Boletim de Cientistas Atômicos, é composto por especialistas renomados, incluindo alguns laureados com o Prêmio Nobel, que monitoram constantemente os riscos existenciais para a humanidade.
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A posição do relógio foi ajustada na terça-feira, 26, com um avanço de quatro segundos em relação à marca de 2025, que indicava 89 segundos.
Fatores que Contribuem para a Tensão
A decisão de avançar o relógio reflete uma combinação preocupante de fatores. Entre eles, o crescimento exponencial dos arsenais nucleares, a falta de progresso em tratados de não proliferação, o agravamento das mudanças climáticas e o aumento da tensão entre as maiores potências mundiais.
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Os cientistas do conselho consideram que essa situação representa um risco elevado e contribui para a instabilidade internacional.
Comentários e Preocupações
Alexandra Bell, presidente do Boletim, atribuiu a deterioração da situação à fragilização da cooperação entre os países e às medidas adotadas por alguns governos. Ela criticou, em particular, as ações do governo Trump, que, segundo ela, estão desmantelando esforços de controle de armas para garantir a estabilidade entre os Estados Unidos e a Rússia, e que também estão prejudicando iniciativas de combate às mudanças climáticas.
Bell descreveu a situação como um “fracasso flagrante de liderança” e uma “guinada em direção ao neoimperialismo”.
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A Importância da Responsabilização e da Presença da Mídia
Daniel Holz, que preside o Comitê de Segurança e Ciência do Boletim, ressaltou que os principais países se tornaram mais “agressivos, hostis e nacionalistas” nos últimos anos. Holz enfatizou a necessidade de responsabilização dos governos e alertou que a falta de prestação de contas aos cidadãos pode levar a conflitos e miséria.
Ele observou que essa tendência global torna o mundo mais perigoso para todos.
A Voz da Imprensa e o Futuro do Jornalismo
Durante o evento, a jornalista filipina Maria Ressa, vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2021, também expressou preocupações. Ressa alertou sobre a fragilidade da imprensa diante das pressões das novas tecnologias e defendeu mudanças nas plataformas digitais e no financiamento do jornalismo.
Ela argumentou que o jornalismo precisa ser visto como uma infraestrutura crítica e que as plataformas tecnológicas devem ser redesenhadas com base nos direitos humanos, e não em métricas de interação.
