A Polícia Federal (PF) formalizou o indiciamento de figuras-chave em desdobramentos relacionados a suspeitas de ligação com o Comando Vermelho (CV). O ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União), e o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias (MDB), foram acusados de manterem laços com a organização criminosa, incluindo a possível divulgação de informações estratégicas para facilitar o tráfico de drogas.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A investigação também envolveu outras pessoas ligadas a TH Joias, como Flávia Júdice Neto, ex-assessora da Assembleia Legislativa, e Jéssica Oliveira Santos e Tharcio Nascimento Salgado.
Detalhes da Suspeita e Prisão de TH Joias
As investigações apontam que Bacellar teria vazado informações da Operação Zargun, que resultou na prisão de TH Joias em 3 de setembro de 2025, sob acusações de tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro. A suspeita central é que ele estava negociando a compra de armas, fuzis e equipamentos antidrones para o CV, utilizando seu cargo para favorecer a facção.
LEIA TAMBÉM!
A suspeita de vazamento da Operação Zargun foi levantada pelo procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antonio José Campos Moreira, no dia da prisão de TH Joias, após indícios de tentativa de fuga e destruição de provas.
Esquema de Corrupção e Envolvimento Político
A Operação Zargun revelou um amplo esquema de corrupção que envolvia a liderança do CV no Complexo do Alemão e agentes políticos e públicos, incluindo um delegado da PF, policiais militares, ex-secretários municipais e estaduais, e TH Joias. A organização criminosa se infiltrou na administração pública para garantir impunidade, obter informações sigilosas e importar armas do Paraguai e equipamentos antidrones da China, revendendo-os até para facções rivais.
A investigação expôs a complexa rede de influência e a utilização de cargos públicos para fins ilícitos.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Prisão de Rodrigo Bacellar e Decisão da Assembleia
Rodrigo Bacellar foi preso em 12 de dezembro de 2025 pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Unha e Carne, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes. A ordem de prisão se baseava na acusação de que Bacellar orientou TH Joias na “remoção de objetos de sua residência”, indicando um envolvimento no encobrimento do investigado.
Em resposta, Bacellar renovou o pedido de licença do mandato, afastado do cargo desde 10 de dezembro de 2025, data em que ocupava o comando da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro desde 2023. Posteriormente, a Assembleia do Rio decidiu, por 42 votos a 21, pela soltura de Bacellar.
Defesa de Bacellar e Argumentos Legais
O criminalista Daniel Leon Bialski, defensor de Rodrigo Bacellar, classificou o indiciamento como “arbitrário e abusivo”. Bialski argumentou que não há evidências concretas que o liguem a qualquer ato ilícito ou vazamento de informações, e que o indiciamento foi motivado pela ação da Polícia Federal, sem respaldo em elementos sérios e comprometedores.
A defesa de Bacellar busca desconstruir as acusações e garantir o direito à ampla defesa.
