Rodrigo Pacheco se afasta da política e novas estratégias do PT surgem

O Silêncio e a Pirraça Política
O senador Rodrigo Pacheco (PSB) passou meses cultivando um silêncio que incomodava quem esperava ser recompensado por sua atuação. Durante os anos mais tensos da recente democracia, ele presidiu o Senado, ajudando a conter uma agenda golpista do bolsonarismo e, no governo Lula (PT), atuando como um moderador institucional.
Em Brasília, colegas do senador repetiam quase como um fato que a cadeira no Supremo Tribunal Federal seria sua. Mas, como tantas vezes acontece na política, essa expectativa não se concretizou, e Pacheco parece agora um sujeito andando de pijama e meia pela casa após uma briga familiar.
Ele não rompe, não grita, não bate a porta, apenas fica emburrado.
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Possíveis Caminhos Após o Senado
Pacheco tem sugerido que talvez deixe a política, flerta com a advocacia privada e observa com interesse uma possível vaga no Tribunal de Contas da União. Paralelamente, o senador tem sido associado a movimentações que visam desestabilizar o governo Lula, como a busca por um candidato mineiro para a disputa.
A situação é complexa e, como sempre, marcada por uma mistura de traições e pirraça política.
O Partido e a Busca por Palatabilidade
Durante anos, o partido que o representa trocou a construção de lideranças próprias pela busca de figuras palatáveis ao empresariado, ao centro político e às elites locais. Escaneou quadros com enraizamento popular e administradores experientes, buscando um conservador educado capaz de carregar Lula sem assustar o mercado financeiro.
Marília Campos, prefeita de Contagem pela quarta vez, permanece praticamente ignorada no debate estadual, enquanto Margarida Salomão governou Juiz de Fora sem ser vista como um projeto prioritário. O partido apostou em Rodrigo Pacheco, um nome sem história no campo popular e sem base construída com o PT.
A Aposta em Kalil e a Busca por um Palanque
Na eleição passada, o mesmo raciocínio levou à aposta em Alexandre Kalil (PDT). Agora, o partido flerta com Josué Alencar, recém-filiado ao PSB, cujo principal capital é o sobrenome do pai, o ex-vice-presidente José Alencar. O PT mineiro se tornou um tipo de corretor de alianças, em busca permanente de alguém que carregue Lula nas costas sem assustar banqueiros, ruralistas ou editoriais de jornal.
O Lulismo em Crise em Minas
Em Minas, o lulismo frequentemente se organiza como uma força constrangida de si mesma, quase pedindo desculpas por existir. O resultado é que o partido não tem, hoje, nenhum palanque minimamente sólido no segundo maior colégio eleitoral do país.
E não tem porque abriu, sistematicamente, mão de construir um. Quem compreendeu essa lacuna foi o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera as pesquisas. O senador opera numa frequência digital, do que da política tradicional.
O Colapso das Estruturas Políticas
O fenômeno Cleitinho explica-se também pelo colapso das estruturas políticas que deveriam competir com ele. O PSDB praticamente desapareceu, o Novo envelheceu rápido demais, o PT perdeu musculatura estadual e a direita tradicional virou um amontoado de empresários, influenciadores e operadores tentando sobreviver à sombra do bolsonarismo.
Nikolas Ferreira continua sendo o maior ativo eleitoral nas redes, mas opera hoje mais como liderança nacional do bolsonarismo do que como candidato interessado no governo estadual. O governador Mateus Simões (PSD), sucessor de Romeu Zema (Novo), parece um bedel de colégio promovido acidentalmente ao comando do estado.
Tem postura técnica, vocabulário burocrático e a capacidade de transmitir entusiasmo equivalente a um tutorial de impressora.
A Fantasia Envelhecida de Zema
No grupo governista, existe a esperança de que a máquina estadual consiga compensar a ausência de carisma. Até agora, não conseguiu. Simões também tenta vender continuidade administrativa, mas carrega um problema sério: o próprio governo Zema envelheceu mal.
Durante anos, Romeu Zema construiu a imagem do empresário que teria colocado Minas nos trilhos, o político que diante das câmeras para encenar simplicidade enquanto governava um dos estados mais desiguais do país. O mesmo governador sancionou aumentos salariais robustos para o alto escalão do estado, incluindo ele próprio, enquanto repetia sermões liberais sobre austeridade fiscal.
Agora, a fantasia mostra os rasgos. O gestor eficiente passou sete anos sem conseguir resolver os elevadores da própria sede administrativa do governo. Servidores ficaram presos. Um deles morreu após subir escadas em meio às panes recorrentes na Cidade Administrativa.
Mesmo assim, decidiu disputar a Presidência. Lançou pré-candidatura cercado por figuras secundárias da direita e por um discurso cada vez mais agressivo contra Lula e o STF. Tentou vestir a fantasia de outsider nacional, mas pelos resultados das pesquisas até o momento só o marqueteiro comprou essa imagem.
O Desgaste Moral e a Busca por um Palanque
Nas últimas semanas, Zema tentou aproveitar o desgaste de Flávio Bolsonaro no escândalo do Banco Master para se reposicionar moralmente. Disse ter ficado “muito decepcionado” com o senador, chamou o episódio de “imperdoável” e afirmou que aquilo era “um tapa na cara dos brasileiros”.
A memória do eleitor, porém, não é tão curta. Até outro dia, Zema tentava se viabilizar como vice numa chapa presidencial encabeçada pelo mesmo Flávio Bolsonaro que agora critica. O caso Banco Master produziu um constrangimento raro porque atingiu justamente a retórica moralista cultivada pelo bolsonarismo.
Setores do mercado, empresários e operadores do Centrão começaram a buscar distância prudente do desgaste. O PL mineiro, que sonhava em organizar seu palanque estadual em torno da força nacional do clã Bolsonaro, passou a recalcular rota.
Jarbas Splits: O Desespero do PT
É nesse vácuo que surgem as hipóteses mais reveladoras do estado de desespero do campo governista. Uma delas atende pelo nome de Jarbas Soares Júnior. O ex-procurador-geral de Justiça de Minas, recém-filiado ao PSB, virou possibilidade concreta nos bastidores lulistas.
O problema é que Jarbas não é exatamente um quadro de esquerda. E, além disso, carrega um histórico que torna sua adoção pelo PT algo difícil de explicar para além da pura desesperança. Saiu enfraquecido da sucessão do Ministério Público mineiro ao ter seu candidato derrotado.
Acumulou desgastes públicos em episódios que misturam poder político e empresarial de forma pouco republicana: apareceu em caronas de jatinho de empresários, reveladas pela Piauí; foi alvo de críticas após articulações para incluir uma ponte em São Francisco (cidade ligada à sua família) em acordos de reparação do desastre de Brumadinho; surgiu em Paris usando crachá cedido pela Rádio Itatiaia durante as Olimpíadas.
O simples fato de sua candidatura circular como hipótese séria diz tudo sobre onde chegou o PT em Minas. Tenta emplacar um ex-procurador de perfil fisiológico porque não tem mais ninguém. Ou porque desistiu de construir um projeto próprio em Minas.
A crise embaralhou os planos nacionais do bolsonarismo. Zema tentou explorar o vácuo. Cleitinho observa à distância. O PL mineiro oscila entre candidaturas próprias e alianças improvisadas. E o PT continua sem rumo claro. Ainda assim, há gente no PT disposta a aceitar esse roteiro.
Porque o partido chegou a um ponto em que qualquer figura minimamente viável eleitoralmente parece preferível à construção de um projeto próprio.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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