Selic Cai, Mas Investidores Questionam a Melhor Aposta
O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou nesta quarta-feira, 18, uma redução na taxa Selic, a primeira em quase dois anos. Segundo o Boletim Focus, a expectativa é que a Selic atinja 12,25% até o final de 2026. Essa queda sugere um ciclo de 2,75 pontos percentuais, mas a pergunta que fica é: essa redução antecipada é uma boa aposta para os investidores?
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Especialistas divergem. A Nord Investimentos, por exemplo, alerta que taxas prefixadas de longo prazo, como as encontradas em 14%, podem ser excessivamente altas, considerando a instabilidade econômica atual e a possibilidade de aumento do preço do petróleo, que impacta a inflação.
Riscos e Oportunidades
Apesar das oportunidades, os especialistas enfatizam a importância da diversificação e da construção de um portfólio adequado ao perfil de cada investidor. Gustavo Harada, da Blackbird Investimentos, ressalta que o investidor deve estar atento às flutuações do mercado e considerar a possibilidade de ganhos através da marcação a mercado, um evento positivo para a carteira, mas não a principal premissa da decisão.
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Sérgio Samuel dos Santos, economista e especialista em fundos e previdência do Sistema Ailos, acredita que há espaço para valorização dos títulos, especialmente entre o segundo semestre de 2026 e o primeiro semestre de 2027. Ele sugere carregar os títulos até o vencimento, principalmente em um cenário de incerteza, para aproveitar ganhos via marcação a mercado.
Tesouro IPCA+ e a Inflação
A mesma lógica se aplica ao Tesouro IPCA+, um título que permite contratar uma taxa de retorno real por longos períodos, protegendo o investidor contra a inflação. Fontes da Nord Investimentos destaca que o ativo híbrido pode proteger mais em caso de inflação alta, ao contrário dos prefixados clássicos, que teriam sua rentabilidade reduzida.
Hulisses Dias, mestre em finanças pela Universidade de Sorbonne, explica que as taxas do IPCA+ dependem de três fatores: expectativas para a taxa de juros, ancoragem inflacionária e risco fiscal. Ele adverte que a deterioração na percepção de sustentabilidade das contas públicas pode elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores, o que se traduz em abertura dos spreads, mesmo em um ambiente de queda de juros.
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Dinâmica do Mercado
As expectativas de inflação também desempenham um papel crucial. Se permanecerem bem ancoradas, favorecem a queda das taxas reais. Caso contrário, podem limitar ou até reverter esse movimento. A inclusão de títulos prefixados e IPCA+ deve ser encarada como uma forma de diversificação de fontes de retorno.
É importante lembrar que o retorno desses ativos não ocorre de forma linear e que o timing de entrada é menos importante do que a consistência da alocação. O investidor precisa estar preparado para o fato de que o cenário pode piorar antes de melhorar.
