Silvio Crestana alerta sobre risco na agricultura brasileira

O Brasil consolidou – se como uma das maiores potências agrícolas do planeta e transformações nos Cerrados o colocaram entre os principais fornecedores globais de alimentos, fibras e bioenergia.
No entanto, especialistas apontam que esse reconhecimento se concentra na capacidade produtiva em larga escala, deixando a inovação científica — um diferencial competitivo crucial – com algum grau subutilizado. Segundo Silvio Crestana, pesquisador da Embrapa Instrumentação e ex – diretor – presidente da instituição, essa ciência tropical brasileira já é referência mundial.
Contudo, ele alerta para a necessidade urgente transformar este vasto conhecimento científico numa liderança tecnológica global sustentável.
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O desafio: converter saber acadêmico em propriedade intelectual
Crestana explicou o paradoxo do agronegócio brasileiro ao afirmar que “Brasil já é uma potência científica em agricultura tropical”, mas esse patrimônio ainda recebe mais reconhecimento por sua capacidade de produzir do que pela inovadora aplicação desse know – how na economia.
Para alcançar um patamar maior no cenário internacional, segundo suas análises, será preciso traçar estratégias claras e duradouras. O objetivo deve ser sempre convergir essa ciência para propriedades intelectuais sólidas, plataformas digitais robustas ou soluções prontas para serem exportadas.
Em meio a disputas comerciais globais e à crescente preocupação com os estoques alimentares mundiais, Crestana avalia o principal ativo brasileiro: uma combinação única entre recursos naturais abundantes, biodiversidade rica em potencial, alta empreendedorismo dos produtores rurais, políticas públicas eficientes e toda aquela reconhecida science tropical.
Ele adverte que um risco significativo é justamente imaginar erroneamente que esta vantagem competitiva será permanente no mercado globalizado de hoje.
A convergência tecnológica como motor da próxima revolução
O futuro do agronegócio dependerá cada vez mais da integração complexa de várias áreas avançadas. Segundo ele, a liderança mundial emergente deve ser construída sobre os pilares das Ciências Ômicas — o estudo conjunto de genes, proteínas e moléculas —, inteligência artificial (IA) e tecnologias digitais em geral.
Nesse contexto moderno, somam – se ao debate científico conceitos importantes para manejo agrícola: microbiomas; bioinsumos – produtos biológicos usados na fazenda— além dos princípios que regem One Health, um conceito vital que trata saúde humana, animal e ambiental como partes interligadas dentro do mesmo sistema.
Questionado se haveria uma única tecnologia capaz de definir essa próxima transformação no campo, Crestana descartou a ideia. Ele enfatizou que “a revolução não virá de nenhuma tecnologia isolada”, mas sim da convergência entre IA, Ciências Ômicas, biotecnologia avançada, sensores remotos em satélites, robótica sofisticada, Digital Twins (gêmeos digitais) e ciência climática.
Adaptabilidade: o futuro além dos dados abundantes
Os gêmeos digitais são réplicas virtuais completas de sistemas físicos — como um determinado trecho de lavoura —, permitindo aos produtores testar cenários complexos para apoiar decisões antes mesmo do plantio. Para Crestana, a mudança mais relevante não reside na quantidade crescente de informações disponíveis hoje; mas sim no aumento da capacidade humana de transformar esses vastíssimos volumes de dado em melhores tomadas de decisão diante das incertezas.
Um exemplo prático disso é o ZARC (Zoneamento de Risco Climático), ferramenta que guia os agricultores sobre as épocas ideais e seguras para plantar conforme variações climáticas regionais.
O pesquisador destacou ainda que este instrumento precisa evoluir drasticamente: “o próximo passo [não] é substituir o ZARC”, explicou ele, ao sugerir incorporar previsões meteorológicas avançadas junto a sensores remotos, satélites, IA e modelos dinâmicos capazes de guiar um manejo adaptativo. Para lidar com sistemas tão complexos sob alta incerteza, formar profissionais aptos à integração entre ciências agrárias, biológica, exatas, computacionais e sociais se torna uma condição indispensável. As reflexões sobre esses rumos serão detalhadas no Super Agro 2026 em São Paulo, evento que acontecerá dia 11 de agosto de 2026. O encontro reunirá executivos C – level do setor privado, poder público, produtores rurais, traders, indústria varejo fornecedores para debater as transformações desde a agricultura regenerativa até os desafios climáticos.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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