Squadra Investimentos Agressa Hapvida com Proposta de Mudanças no Conselho
A Squadra Investimentos enviou uma carta formal à Hapvida (HAPV3), expressando sua preocupação com a gestão da empresa e apresentando uma série de propostas para a assembleia de abril. A gestora exige a renovação do conselho de administração da companhia do setor de saúde e defende a adoção do voto múltiplo na reunião.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A Squadra argumenta que, desde o IPO da Hapvida em 2018, a ação da empresa não acompanhou o crescimento do mercado, enquanto o Ibovespa subiu 120% nesse mesmo período.
A acionista destaca que, desde 2022, o valor de mercado da Hapvida encolheu drasticamente, passando de R$ 85 bilhões para cerca de R$ 5 bilhões. Segundo a Squadra, essa queda de valor, somada à remuneração elevada do conselho, representa um problema significativo.
LEIA TAMBÉM!
A proposta atual da administração para 2026 prevê um pagamento de R$ 57 milhões aos conselheiros, o que, na visão da gestora, seria a remuneração mais cara entre as empresas do Ibovespa e consumiria um quinto do lucro estimado da companhia.
A Squadra aponta que, apesar da perda de valor para os acionistas nos últimos anos, o conselho de administração recebeu um bônus de 94% do valor previsto em seu plano de remuneração, caso as metas tivessem sido atingidas. A gestora também critica a proposta da administração para a assembleia, que prevê a reeleição integral dos mesmos nove membros, sem nenhuma renovação, e a redução do número de membros independentes no conselho.
Para solucionar essa situação, a Squadra propõe que o novo conselho avalie a venda dos ativos da Hapvida nas regiões Sudeste e Sul, onde a companhia perdeu 238 mil beneficiários em 2025, enquanto o mercado cresceu 792 mil.
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
A Squadra propõe a nomeação de três candidatos para o conselho: Tania Chocolat, ex-CPP Investments; Bruno Magalhães, ex-sócio da própria gestora; e Eduardo Parente, chairman da Equatorial. A equipe indicada pela Squadra possui perfil técnico e experiência em reestruturação e governança, segundo a acionista.
A assembleia marcará um teste de força para a Squadra, que detém 6,98% do capital votante e, com o uso do voto múltiplo, poderá garantir a eleição de pelo menos um representante no conselho, mesmo contra a vontade dos controladores. A Lei das S.A. permite que acionistas minoritários concentrem seus votos em um único candidato.
A Hapvida ainda não se pronunciou sobre a carta da Squadra. A EXAME tentou contato com a companhia para obter sua resposta, mas ainda não obteve retorno até o momento desta publicação.
