O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em uma decisão tomada nesta quarta-feira (4), ordenou a prisão preventiva de indivíduos ligados ao Banco Master, devido ao “perigo iminente” à segurança de cidadãos e à proteção de bens jurídicos importantes.
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A medida foi motivada por um pedido da Polícia Federal, no âmbito da “Operação Compliance Zero”, que investiga uma série de crimes financeiros, incluindo corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
A investigação aponta para práticas ilícitas envolvendo o empresário Thiago Vorcaro, dono do Banco Master. A PF descobriu que ele utilizava títulos bancários com rentabilidades elevadas para captar recursos, direcionando-os para investimentos de risco e fundos ligados ao conglomerado do banco.
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A situação se agravava com o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para cobrir um déficit de R$ 40 bilhões deixado pelo Banco Master.
Detalhes da Investigação
A investigação revelou um esquema complexo que envolveu a colaboração de servidores do Banco Central. Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, em cargos de chefia no departamento de fiscalização, teriam fornecido orientações, revisado documentos e repassado informações internas ao empresário Vorcaro, em troca de pagamentos via contratos de consultoria.
Essa colaboração representava um grave risco à integridade do sistema financeiro.
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Ameaças e Monitoramento
Além disso, a PF identificou um grupo chamado “A Turma”, coordenado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e com a participação do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. Esse grupo acessava sistemas restritos de órgãos públicos e bases de dados policiais para obter informações sobre autoridades, jornalistas e ex-funcionários.
Mensagens interceptadas revelaram planos de agressão, como a ameaça de um jornalista, e a solicitação de informações sobre uma empregada, demonstrando a gravidade da situação.
Prisões e Suspensão de Atividades
O STF determinou a prisão preventiva de outras três pessoas, incluindo Fabiano Campos Zettel, apontado como responsável pela intermediação de repasses financeiros, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, coordenador das ações de vigilância e intimidação, e Marilson Roseno da Silva, integrante da estrutura de monitoramento.
A decisão também suspendeu as atividades de cinco empresas, utilizadas para justificar recebimentos, movimentar os recursos investigados e pagar despesas das atividades ilícitas.
A investigação continua em andamento, com a Polícia Federal buscando localizar Fabiano Campos Zettel e aprofundando as apurações sobre as atividades do grupo.
