Suprema Corte Declara Inviabilidade Processo por Corte de Dreadlocks

Suprema Corte impede indenização por corte de dreadlocks, reforçando restrições legais a processos contra funcionários estaduais

24/06/2026 09:45

3 min

A Suprema Corte dos EUA. Foto: Jim Watson/AFP/Getty Images
A Suprema Corte dos EUA. Foto: Jim Watson/AFP/Getty Images

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, nesta terça-feira 23, que um devoto rastafári não pode processar funcionários penitenciários estaduais para buscar indenização por danos sofridos após o corte forçado de seus dreadlocks, em um caso que ocorreu na prisão da Louisiana.

Damon Landor havia movido uma ação judicial buscando reparação por violações de seus direitos religiosos contra agentes do Departamento de Correções do estado. Embora a Louisiana tenha reconhecido que o tratamento dispensado a Landor pelos agentes era “antitético à liberdade religiosa”, o estado argumentou que a legislação federal impede a reivindicação de indenizações monetárias contra um funcionário estadual quando o processo é movido em caráter pessoal.

O Contexto do Conflito Religioso e a Ação Judicial

O incidente em questão ocorreu quando Landor, que havia passado quase duas décadas cultivando seu cabelo em dreadlocks, estava cumprindo as últimas três semanas de uma pena de cinco meses. Essa pena havia sido imposta em 2020 por posse de drogas. Foi nesse período que o detento teve seu cabelo cortado à força.

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Landor não foi um detento comum; ele é um devoto da fé rastafári. Os rastafáris, cuja religião tem raízes na Jamaica e foi popularizada por ícones como o cantor de reggae Bob Marley, mantêm o cabelo crescido, geralmente na forma de dreadlocks, como um pilar de suas crenças.

O detento apresentou aos agentes penitenciários uma cópia de uma decisão judicial datada de 2017, que garantia o direito dos rastafáris de manterem seus dreadlocks em conformidade com suas convicções religiosas.

Segundo os registros judiciais, a situação se agravou quando um agente descartou o documento e, subsequentemente, Landor foi algemado a uma cadeira e teve sua cabeça raspada, configurando o cerne da disputa legal.

Limitações Legais e o Veredito da Suprema Corte

Um tribunal de apelações anterior já havia condenado o tratamento recebido por Landor como “escandaloso”, reconhecendo a gravidade da violação. Contudo, essa instância judicial já havia estabelecido que o detento não tinha o direito de processar os funcionários penitenciários individualmente para obter indenizações.

Ao analisar o caso, a Suprema Corte dos Estados Unidos votou por 6 a 3, concordando com o entendimento de que a legislação federal não permite que o indivíduo pleiteie indenizações financeiras contra um funcionário estadual quando o processo é movido em caráter pessoal.

Os três juízes que votaram minoritariamente discordaram desta interpretação.

A decisão reforça a complexidade do direito constitucional em relação aos direitos religiosos em ambientes prisionais. Embora o estado da Louisiana tenha admitido publicamente que o manejo do caso foi “antitético à liberdade religiosa” e tenha, inclusive, alterado sua regulamentação sobre a aparência pessoal dos detentos, o foco da disputa judicial permaneceu na viabilidade processual da indenização.

A decisão da Suprema Corte, portanto, não nega a violação de direitos, mas sim estabelece um limite processual sobre como e contra quem o dano pode ser monetariamente cobrado no âmbito federal.

O caso de Damon Landor serve como um lembrete das tensões entre a aplicação da lei estadual e o respeito às práticas religiosas minoritárias nos Estados Unidos.

A Suprema Corte dos Estados Unidos determinou que, apesar das violações de direitos reconhecidas, o processo de indenização individual contra funcionários estaduais não é permitido pela legislação federal.

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