Mercado Financeiro Reage à Tensão no Oriente Médio e Preços do Petróleo
O mercado de ações brasileiro apresentou uma retração parcial dos ganhos acumulados nas últimas sessões. Nesta terça-feira, 7, encerra-se o prazo estabelecido para a reabertura do Estreito de Ormuz. As redes sociais têm sido palco de ameaças, indicando consequências caso as ordens não sejam cumpridas.
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O preço do petróleo voltou a subir, especialmente o WTI, que já se encontra US$ 5 mais caro que o Brent. Ambos os tipos de petróleo negociam acima dos US$ 100. Essa alta no custo da matéria-prima impulsiona as ações das empresas do setor de petróleo, com destaque para a Petrobras, que detém o segundo maior peso no Ibovespa.
Análise do Impacto Setorial e Cambial
A companhia petroleira anunciou mudanças em sua diretoria na noite anterior, movimentos que, segundo analistas, podem gerar benefícios. Além disso, o mercado está atento ao impacto fiscal dessas altas, buscando evitar que o aumento do petróleo chegue integralmente ao consumidor final, como ocorre com subvenções ao diesel e isenções de impostos sobre combustível de aviação.
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Ao meio-dia e cinquenta e dois minutos, o Ibovespa registrava queda de 0,7%, situando-se em 186.818 pontos. O dólar comercial, que havia fechado em um dos menores patamares em quase dois meses no dia anterior, mostrou uma leve alta no mesmo horário, subindo 0,3% para R$ 5,16.
Bolsas Americanas em Cenário de Incerteza Geopolítica
As bolsas americanas operaram em baixa à medida que o prazo dado por Trump ao Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz se aproxima do fim, e as expectativas de um acordo parecem diminuir. O Dow Jones recuava 0,8%; o S&P 500 cedia 0,9%; e o Nasdaq Composite caía mais de 1%.
O clima de incerteza aumentou após Trump publicar uma mensagem na rede Truth Social, afirmando que “uma civilização inteira vai morrer esta noite, para nunca mais ser reconstituída”. Posteriormente, ele abriu uma brecha ao sugerir que uma mudança de regime no Irã poderia trazer “algo revolucionariamente maravilhoso”.
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Ameaças e Reportagens de Conflito
O prazo estipulado por Trump expira às 21h (horário de Brasília). O presidente havia ameaçado destruir usinas e pontes iranianas caso nenhum acordo fosse fechado. O Wall Street Journal e a NBC News reportaram, citando autoridades americanas, que os EUA realizaram ataques à Ilha de Kharg durante a madrugada.
Esta ilha é crucial, sendo responsável por cerca de 90% das exportações de petróleo iraniano.
Negociadores não demonstravam otimismo quanto a um acordo antes do prazo, embora a mídia estatal iraniana tenha sinalizado que as conversas entre as partes não haviam terminado. As tensões elevaram os preços do petróleo: o WTI avançava 3%, ultrapassando US$ 116 o barril, enquanto o Brent subia 0,8%, para acima de US$ 110.
Perspectivas de Mercado e Análise de Especialistas
Analistas do Société Générale traçam três cenários para os preços. Se o conflito se estender até maio, o barril pode atingir uma média de US$ 125. No pior cenário — com o fechamento não só do Estreito de Ormuz, mas também do Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho —, os preços poderiam superar US$ 200, afetando diretamente as exportações sauditas e russas.
Tom Graff, da Facet, acredita que os investidores devem esperar que os preços do petróleo permaneçam “significativamente mais altos” que antes da guerra, mas considera o bloqueio do Estreito pelo Irã como uma “manobra de negociação”. Ele ressalta que ninguém se beneficia de um fechamento permanente da rota, afirmando que “não acho sustentável que o Estreito permaneça fechado por meses e meses”.
Desempenho das Bolsas Europeias e Asiáticas
As bolsas europeias, que operaram sem direção clara após o feriado de Páscoa, não conseguiram manter a estabilidade e encerraram o pregão em território negativo. O sentimento de aversão ao risco prevaleceu devido às crescentes tensões no Oriente Médio, com a pressão de Trump sobre o Irã e o bloqueio da rota por Teerã.
No fechamento, Londres recuou 0,85%; Frankfurt, 1,03%; Paris, 0,72%; e o índice pan-europeu Stoxx 600 cedeu 0,96%, atingindo 590,92 pontos. Já os mercados asiáticos fecharam sem um consenso claro, aguardando o prazo de acordo de cessar-fogo imposto por Trump.
A Austrália foi o ponto positivo na Ásia, com alta de 1,74%. O Japão manteve quase total estabilidade, enquanto a Coreia do Sul viu o índice de grandes empresas subir 0,82%, mas as pequenas e médias caíram mais de 1%. A China continental fechou em zero a zero, e Hong Kong não abriu devido ao feriado de Páscoa.
A Índia conseguiu fechar levemente no positivo após operar em queda durante grande parte do dia.
