A senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura e representante do Partido Progressista (PP), expressou preocupação com a falta de atenção do governo federal no avanço de um plano estratégico crucial para o setor agrícola brasileiro. A declaração foi proferida após um evento realizado em São Paulo, na segunda-feira, 23.
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Cristina enfatizou que a ausência de um projeto de país abrangente tem dificultado a priorização de temas essenciais para o desenvolvimento do agronegócio.
Necessidade de Iniciativa Governamental
Segundo a senadora, é responsabilidade do Executivo dar o “pontapé inicial” para o plano, estabelecendo regras claras que incentivem o investimento e desbloqueiem o setor. Ela ressaltou a importância de que o governo defina as prioridades necessárias para o Brasil, considerando a sua posição como potência agrícola.
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Desempenho Insatisfatório do Plano Lançado em 2022
Cristina criticou o desempenho do plano, lançado em 2022, que visava reduzir a dependência externa de 85% para 50% até 2050. Ela atribuiu o atraso aos problemas de prioridade, estratégia e à falta de compreensão do Brasil sobre suas necessidades.
O plano, que buscava diminuir a dependência de insumos importados, não atingiu as metas esperadas.
Impacto dos Preços Elevados de Fertilizantes
A senadora destacou que o aumento de mais de 30% nos preços dos fertilizantes tem aumentado a vulnerabilidade do agronegócio brasileiro a riscos externos. A elevada dependência de importações expõe o país a pressões geopolíticas e à volatilidade de preços, um problema que se agravou em 2025, com um consumo de 49 milhões de toneladas, sendo 43 milhões importados.
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Solos Brasileiros e a Necessidade de Autossuficiência
Cristina enfatizou que os solos brasileiros são naturalmente pobres e exigem o uso intensivo de insumos. Ela argumentou que um país como o Brasil, com sua relevância no setor agro, não pode sustentar uma dependência monumental de importações. A senadora acredita que o país possui a capacidade de ampliar a produção doméstica, mas enfrenta obstáculos estruturais e regulatórios.
Impedimentos para a Produção Nacional
A ex-ministra mencionou projetos parados há anos que poderiam reduzir a dependência externa, como uma usina de fertilizantes nitrogenados em Três Lagoas (MS) que está praticamente pronta, mas permanece inativa. Segundo ela, questões ambientais e de viabilidade econômica travam esses projetos.
A senadora defende que a produção de fertilizantes deve ser tratada como um tema de segurança nacional, mesmo que não seja sempre economicamente rentável no curto prazo.
Perspectivas e Investimentos Futuros
Estimativas indicam que investimentos públicos e privados superiores a R$ 25 bilhões podem ser realizados até 2030, o que poderia reduzir a dependência externa para menos de 70% até o fim da década. Para Tereza Cristina, o avanço do plano depende da vontade política para que as metas sejam alcançadas.
Ela acredita que, ao compreender a urgência da situação, o país poderá finalmente viabilizar as iniciativas.
