Trump afirma que responderá com retaliação qualquer represália do Brasil à tarifa elevada

O decreto americano permite que o presidente norte-americano revise a tarifa adicional se o Brasil se alinhar aos Estados Unidos.

30/07/2025 17h12

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(Imagem de reprodução da internet).

O decreto do presidente Donald Trump (Partido Republicano) declara que qualquer contra-retória do Brasil será respondida com uma tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros. Adicionalmente, indica que poderá ser revista a tarifação caso o Brasil se alinhe de forma adequada com os Estados Unidos.

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“Se o Governo do Brasil retaliar aumentando as tarifas alfandegárias sobre as exportações dos Estados Unidos, aumentarei a alíquota de imposto ad valorem estabelecida nesta ordem em um valor correspondente”, afirmou Trump no decreto. Seguem as íntegras do decreto e do comunicado em português e em inglês.

O republicano acrescenta que pode modificar o decreto para assegurar que a situação de emergência declarada no documento seja devidamente considerada. Se o Brasil adotar medidas que se ajustem “significativamente” aos Estados Unidos, a taxa alfandegária poderá ser revista.

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É improvável que isso ocorra devido ao caráter político da justificativa empregada por Trump para a imposição de tarifas, considerando as decisões do ministro do STF Alexandre de Moraes e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Caso o Governo do Brasil adote medidas significativas para lidar com a emergência nacional declarada nesta ordem e se alinhe suficientemente com os Estados Unidos em questões de segurança nacional, econômica e política externa descritas nesta ordem, posso modificar ainda mais esta ordem”, escreveu Trump.

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De acordo com o Poder360, a avaliação do governo é que Trump não demonstrou interesse em ter uma conversa com Lula nos termos que o Palácio da Planície almeja. Isso implica limitar o foco do diálogo a questões comerciais, sem incluir o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), as grandes empresas de tecnologia ou a atuação de outros órgãos, como o Judiciário.

Trump designou o secretário de Estado Marco Rubio para acompanhar o Brasil e consultar, de forma contínua, quaisquer membros de alto escalão do governo brasileiro sobre o assunto.

O governo demonstrou maior otimismo nesta terça-feira (29.jul.2025) com a afirmação do Secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick (Partido Republicano), de que produtos como café, cacau e manga poderiam ser isentos de tarifas por não serem cultivados em território norte-americano.

Apesar desses itens em particular não terem sido isentos da taxa adicional, mais de 600 outros produtos foram, incluindo laranja e suco de laranja.

A taxação é válida a partir de 6 de agosto, sete dias após a assinatura do decreto, e não na sexta-feira (1º de agosto). Certos produtos foram dispensados do tarifário, como suco de laranja, aeronaves civis e castanhas.

O comunicado afirma que o objetivo é responder às políticas, práticas e ações recentes do governo brasileiro que representam uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos.

O texto também menciona “perseguição, intimidação, assédio, censura e processo politicamente motivado” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Resposta ponderada.

Apesar do tom defensivo — e eleitoral — de ministros petistas e do próprio Lula, que têm afirmado publicamente que haverá medidas recíprocas e que a soberania é inegociável, a resposta brasileira tende a ser mais contida. É mais provável que as reações ocorram de forma gradual, e não por meio de um contra-ataque imediato.

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou, na terça-feira (29.jul), que o Brasil não deve prosseguir com as compras dos Estados Unidos, visto que estes não desejam ter relação comercial com os brasileiros.

Se confirmado e for implementado essas tarifas, medidas de reciprocidade serão, sim, tomadas, porque, já que eles não querem ter relação comercial com o Brasil, o Brasil também não precisa continuar comprando deles, pode comprar de outros países.

É improvável, contudo, que haja uma taxação linear aos EUA ou que seja na mesma proporção. O Itamaraty afirma, nos bastidores, que a prioridade atualmente é reabrir canais de negociação.

Fonte por: Poder 360

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