Trump ameaça Estreito de Ormuz: O que o Direito Internacional diz sobre os crimes?

Ameaças de Donald Trump sobre o Estreito de Ormuz são ilegais? Entenda o direito internacional e os crimes de guerra que podem ser acionados!

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US President Donald Trump speaks before signing an executive order on election integrity in the Oval Office of the White House in Washington, DC, on March 31, 2026. President Donald Trump on March 31 signed an order seeking to crack down on mail-in voting, escalating his push to restrict a popular way of casting ballots in US elections. Trump's executive order follows repeated attacks by the 79-year-old Republican on US elections, based on his disproven conspiracy theories about supposed cheating by his Democratic opponents. It was unclear whether Trump has authority to impose the measures and legal challenges were almost certain, with a possible final decision being left to the Supreme Court. (Photo by Brendan SMIALOWSKI / AFP)

A Ilegalidade das Ameaças Militares de Donald Trump

As ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o Estreito de Ormuz, caso não seja reaberto até a noite de terça-feira, 7, são manifestamente ilegais. Por essa razão, os comandantes militares norte-americanos não podem cumprir tais ordens.

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O direito internacional estabelece proibições claras contra ataques indiscriminados à população civil. A sugestão de apagar uma “civilização inteira”, como Trump mencionou em uma publicação em suas redes sociais, pode ser enquadrada como crime de guerra e crime contra a humanidade.

Implicações Legais de Crimes de Guerra

Violações dessa natureza podem ser julgadas a qualquer tempo no futuro, inclusive por sistemas judiciais de países que adotam o princípio da “jurisdição universal”. Este princípio é aplicável justamente em casos extremos como este.

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O direito internacional também garante que militares estão isentos do dever de obediência quando recebem ordens com fundada suspeita de ilegalidade. Acabar com a civilização iraniana implicaria diversos crimes, incluindo o genocídio.

Responsabilidade Legal e Judicial

Um eventual julgamento recairia não apenas sobre Trump, mas sobre toda a cadeia de comando envolvida no cumprimento de uma missão ilegal. Cabe, primeiramente, à Justiça americana reconhecer a ilegalidade das declarações e atos de Trump.

A Suprema Corte dos Estados Unidos, assim como instâncias judiciais militares, teria a primazia para julgá-lo, visto que ele estaria emitindo publicamente uma ordem ilegal. Além disso, o Congresso americano poderia iniciar um novo processo de impeachment por conduzir uma guerra sem a devida aprovação legislativa, conforme determina a Constituição.

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Alternativas ao Conselho de Segurança da ONU

A primazia da justiça nacional, nesses casos, contornaria o imobilismo do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que seria o órgão teoricamente responsável por tratar do tema. Contudo, esse arranjo interno está sempre sujeito a disputas partidárias e à sensibilidade da opinião pública.

A opinião pública tende a proteger seus líderes em situações de guerra, mesmo quando há violação da lei, como visto no caso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Desgaste na Estrutura Militar Americana

As relações do governo Trump com os comandantes militares norte-americanos não estão favoráveis. Neste mês, Pete Hegseth, o secretário da Guerra — ex-secretário da Defesa —, demitiu Randy George, que era o chefe do Estado-Maior do Exército.

Outros militares de alta patente também foram exonerados nesse movimento.

Esse cenário expõe um desgaste cuja extensão e contornos ainda não são totalmente conhecidos. Essa divisão interna e certa degradação na cadeia de comando pode influenciar o cumprimento de ordens extremas, como a que Trump ameaça transmitir.

Perspectivas Futuras e Desobediência Militar

Embora a hipótese de uma insubordinação pública seja remota, não é improvável que comandantes contrariados expressem suas reservas e críticas internamente. Isso sinalizaria que, caso Trump insista, eles poderão depor contra o presidente em um momento de maior fragilidade política.

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