Trump Domina Davos com Exclusão Climática: Impacto Global e Cancelamentos

Donald Trump Domina Fórum Mundial em Davos, Excluindo Clima Trump Cancela Marina Silva e Corrêa do Lago

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(Imagem de reprodução da internet).

Trump Domina o Fórum Econômico Mundial em Davos com Exclusão da Pauta Climática

Em uma demonstração marcante de poder e influência, Donald Trump chegou ao Fórum Econômico Mundial em Davos nesta semana, liderando a maior delegação americana já vista no evento. No entanto, sua presença foi acompanhada por uma exigência que gerou polêmica e marcou uma ruptura com as tradições do encontro: a pauta climática foi formalmente excluída das reuniões bilaterais e compromissos oficiais que ele participaria.

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A informação foi obtida na semana passada pela EXAME, através de uma fonte do Itamaraty ouvida em off.

Cancelamentos e a Exclusão da Agenda Ambiental

O efeito imediato da decisão de Trump se manifestou no cancelamento da participação da ministra Marina Silva, programada para o painel “How Can We Avert a Climate Recession” (em livre tradução, “Como podemos evitar uma recessão climática”), ao lado do ex-vice-presidente americano e ativista Al Gore e do ministro alemão do Meio Ambiente, Carsten Schneider.

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Oficialmente, a lesão na coluna que a afastou de atividades da pasta do Meio Ambiente desde o ano passado justificava a ausência. Diplomatas, no entanto, reconheceram que o veto à discussão ambiental nos espaços decisórios esvaziou o sentido da participação, resumindo as exigências do presidente americano como uma condição de não tratar de clima.

Outras Figuras Também Desistem da Viagem

Outra figura importante, o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, também desistiu de ir à Suíça. Seu plano inicial incluía comparecer acompanhado de uma pequena equipe para dar continuidade a agendas pendentes da Conferência de Belém.

Essa capitulação em Davos foi a primeira vez que Trump esteve presente no Fórum pela primeira vez em 2018, durante seu primeiro mandato, num encontro marcado pelo choque entre sua agenda protecionista e o discurso globalista tradicional do evento – época de sua famosa agenda “América First”.

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No ano passado, esperando sua presença após a posse do segundo mandato, o WEF chegou a adiar a programação em uma semana.

O Fórum Adapta-se à Nova Realidade

A mudança de postura do Fórum, liderada por Klaus Schwab, que criou o evento em 1971, e agora por Larry Fink, da BlackRock, gestora que controla mais ativos do que qualquer outra empresa no planeta, reflete uma nova dinâmica global. A saída de Schwab em agosto de 2025, em meio a acusações de má administração financeira e denúncias de tratamento inadequado a funcionárias, e a ascensão de Fink, que pregava o chamado “capitalismo de stakeholders” (que defende que corporações exerçam responsabilidades para além dos acionistas, incluindo trabalhadores, comunidades locais e o meio ambiente), marcaram uma mudança de prioridades.

Sob pressão de governos produtores de petróleo, essa bandeira foi sendo discretamente abandonada, selada por uma doação de US$ 2,5 milhões da BlackRock para o salão de festas da Casa Branca.

Análise do Global Risk Report 2026

Em seu primeiro pronunciamento como líder do WEF, o executivo evitou qualquer menção a clima ou energia limpa, declarando: “Compreender diferentes perspectivas é essencial para impulsionar o progresso econômico”. No entanto, o Global Risk Report 2026 revelou uma distorção: 1.300 especialistas rebaixaram drasticamente os riscos ambientais na perspectiva de curto prazo, mantendo-os no topo da lista quando olham para a próxima década.

Eventos climáticos extremos, que ocupavam a segunda posição entre ameaças imediatas no ano passado, caíram para quarto lugar – apesar de 2025 ter sido considerado o terceiro ano mais quente da história, comparado a níveis pré-industriais. Isso resultou em avaliações do World Weather Attribution (WWA), que levaram a eventos cada vez mais extremos em todo o mundo.

A poluição desceu de sexto para nono lugar, e mudanças críticas nos sistemas terrestres e perda de biodiversidade registraram quedas ainda mais acentuadas. Pesquisadores ouvidos por EXAME são unânimes em afirmar que o movimento ilustra uma clara reprioritização política em escala global.

Mudanças na Priorização de Riscos

Em 2036, os mesmos especialistas previram um retorno dos eventos climáticos extremos à primeira posição, seguidos por perda de biodiversidade e colapso de ecossistemas. Mudanças críticas nos sistemas terrestres ocupam o terceiro lugar, e a escassez de recursos naturais e a poluição aparecem em sexto e nono lugar, respectivamente.

Os confrontos geoeconômicos, que dominam as preocupações atuais, despencam para a 19ª colocação. O relatório também captou o pessimismo crescente entre líderes globais, com metade dos respondentes acreditando em um cenário “turbulento” ou “tempestuoso” para os próximos dois anos, e 57% acreditando no mesmo cenário na década seguinte. “As questões ambientais estão sendo repriorizadas porque segurança nacional – incluindo energética – virou o novo motor das políticas de governo”, aponta o documento.

A Exclusão da Pauta Climática e o Futuro do Fórum

A ausência de Marina Silva e André Corrêa do Lago em Davos sinaliza mais do que um cancelamento de agenda. Representa o reconhecimento de que, pela primeira vez em décadas, a pauta climática foi formalmente excluída dos espaços onde decisões globais são tomadas.

Com o tema banido dos corredores onde circulam chefes de Estado e CEOs de instituições financeiras e multinacionais, a expectativa dos defensores da agenda ambiental recai sobre a programação paralela, vista como menos sujeita às pressões geopolíticas.

No ano passado, cientistas como o sueco Johan Rockström, oceanógrafo americano Sylvia Earle, exploradora da National Geographic, e o brasileiro Carlos Nobre, copresidente do Painel Científico da Amazônia, marcaram presença em sessões disputadas.

A organização do Fórum mantém, nesta edição, sessões como “Can EVs Really Dominate?” (em livre tradução, “Veículos elétricos podem realmente dominar?”), mas temas como inteligência artificial e criptomoedas cresceram em destaque nos horários nobres e salas principais.

O contraste é simbólico e também político, refletindo uma nova dinâmica global.

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