Um estudo conduzido pelas Universidades de Nottingham e Cambridge está provocando um debate acalorado na comunidade científica. A pesquisa, publicada na renomada revista Nature na última terça-feira, 27, questiona a ideia de que a memória humana é dividida em dois tipos distintos.
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A descoberta levanta dúvidas sobre a forma como tradicionalmente entendemos a memória episódica e semântica.
Tipos de Memória em Discussão
A memória episódica se refere à capacidade de recordar eventos específicos do passado, como uma viagem ou uma festa de aniversário. É como uma “viagem mental no tempo”, permitindo reviver experiências passadas. Por outro lado, a memória semântica está relacionada ao conhecimento geral sobre o mundo, como saber que Paris é a capital da França, independentemente de quando ou onde essa informação foi aprendida.
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Metodologia do Estudo em Cambridge
Os pesquisadores realizaram um experimento com 36 participantes saudáveis. A abordagem utilizada foi diferente de estudos anteriores que solidificaram a noção de dois tipos de memória. O experimento utilizou logotipos de marcas e seus respectivos nomes.
Na tarefa semântica, os participantes eram solicitados a recordar associações reais, como o logotipo da cafeteria Starbucks com a palavra “Starbucks”. Já nos testes da memória episódica, as mesmas pessoas foram instruídas a se lembrar de associações que haviam aprendido em uma fase anterior do estudo, quando um logotipo era apresentado junto com o nome de uma marca diferente.
Resultados Surpreendentes e Implicações
A análise da ativação cerebral revelou evidências fortes de que não há diferença significativa entre a recuperação de memória episódica e semântica nas regiões cerebrais examinadas. Mesmo o lobo temporal anterior, historicamente considerado crucial para a memória semântica, não demonstrou essa especialização.
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Os pesquisadores sugerem que, em cérebros saudáveis, as mesmas áreas podem processar ambos os tipos de memória.
Possíveis Explicações e Próximos Passos
Os autores apontam que as diferenças observadas em pacientes com doenças neurológicas podem ser resultado da reorganização cerebral que ocorre quando uma região se torna disfuncional. Uma outra possibilidade é que a distinção tradicional entre memória episódica e semântica esteja se tornando obsoleta.
Teorias mais recentes consideram essas memórias como pontos extremos de um espectro, variando em características como especificidade temporal e compartilhamento entre pessoas. O estudo representa um desafio significativo ao modelo tradicional e pode levar a uma reformulação de como entendemos e tratamos distúrbios de memória.
Os pesquisadores reconhecem a necessidade de mais investigações para confirmar essas descobertas.
