Comando Vermelho e milícias expandem controle no Rio após UPPs. Estudo revela aumento de 4 milhões de moradores sob influência criminosa em 18 anos.
Não se pode negar que o problema do tráfico continuou presente na Cidade de Deus. A declaração do então secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, durante o governo do ex-governador Sérgio Cabral, refletia uma realidade preocupante: as facções criminosas não abandonaram os territórios que controlavam há décadas no Rio de Janeiro.
O estudo “Mapa Histórico dos Grupos Armados do Rio de Janeiro”, produzido pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF) e o Instituto Fogo Cruzado, revela que o Comando Vermelho (CV), o Terceiro Comando Puro e as milícias expandiram sua influência no estado durante o período de implementação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).
A pesquisa, que se estendeu de 2018 até o presente, demonstra que o Comando Vermelho aumentou sua presença em diversas regiões do Rio de Janeiro, especialmente durante o período entre 2008 e 2015, quando as UPPs foram implantadas.
Segundo o estudo, a presença da Polícia Militar nas favelas estimulou parte dos integrantes do Comando Vermelho a se estabelecerem em outras áreas da região metropolitana do Rio, principalmente na Baixada e no Leste Fluminense. Os traficantes buscavam evitar confrontos diretos com a polícia, ao mesmo tempo em que mantinham o controle sobre seus territórios originais.
Essa movimentação de grupos criminosos é conhecida como “efeito balão”.
O sociólogo Daniel Hirata, coordenador do Geni/UFF, ressalta que, embora a expansão das facções durante a implantação das UPPs tenha sido um efeito não intencional, a política de segurança influenciou diretamente na expansão dos grupos para o interior do estado.
Ele destaca que o desmantelamento das UPPs e o sucateamento das políticas públicas de segurança no Rio de Janeiro também ampliaram o acesso das facções a regiões do estado. “O desmantelamento das UPPs entra no um contexto mais amplo de desmontagem do próprio Estado do Rio de Janeiro”, explica Hirata.
Atualmente, cerca de 4 milhões de moradores – 34,9% da população – vivem sob o controle de facções e milícias. Esse número representa um aumento em relação aos 2,5 milhões de pessoas que estavam nessas condições em 2007. O estudo aponta que o crescimento do crime, especialmente entre 2016 e 2020, foi resultado de uma combinação de fatores, incluindo oportunidades no mercado imobiliário, expansão de infraestrutura urbana e a desfuncionalidade do Estado.
A expansão do controle territorial e populacional para a Baixada e o Leste Fluminense foi impulsionada pelo “efeito balão” das UPPs, mas o crescimento contínuo do crime é uma realidade que se estende por 18 anos.
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