Adauto Lima: EUA dependem de financiamento global crescente em IA

Adauto Lima alerta sobre dependência crescente dos EUA no financiamento global em IA devido à crise fiscal interna.

26/06/2026 11:28

3 min

Adauto Lima, economista-chefe da Western Asset Management, Franklin Templeton Brasil
Adauto Lima, economista-chefe da Western Asset Management, Frank...

Os Estados Unidos estão mergulhando num ciclo de investimentos maciços e crescentes na área de inteligência artificial que exige um financiamento global robusto para se sustentar. Segundo Adauto Lima, economista – chefe da Western Asset Management – Franklin Templeton Brasil, essa expansão depende cada vez mais do consumo da poupança mundial.

A análise aponta o diagnóstico fiscal macroeconômico como motor desse movimento: os gastos públicos nos EUA reduziram a capacidade doméstica de guardar dinheiro. Isso cria uma necessidade crescente por capital externo tanto para cobrir déficits estruturais quanto financiar as novas tecnologias emergentes no país.

O passivo dos Estados Unidos perante o mundo

Para manter esse ritmo acelerado em investimentos tecnológicos e suprir seu déficit persistente, Washington passa necessariamente depender intensamente das fontes internacionais de financiamento globalmente disponíveis.” O economista Adauto Lima enfatizou que essa absorção não é um evento passageiro; ela faz parte de um ciclo mais amplo da economia americana.

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Lima observou ainda como houve mudanças na forma do fluxo financeiro internacional desde a crise mundial ocorrida após 2008. Antes desse período turbulento, os recursos globais eram direcionados majoritariamente para títulos com juros baixos e menor risco no país americano.

Hoje o cenário mudou drasticamente: “Desde a crise de 2008… hoje o estrangeiro investe muito mais em equities,” alertou ele ao destacar esse novo foco dos investimentos internacionais. A consequência direta dessa mudança é que avançar as bolsas americanas também aumentou significativamente o passivo total dos Estados Unidos perante todas outras economias.

Desequilíbrios financeiros sob análise do FMI

Esse arranjo financeiro cria um ciclo vicioso, mas potente dentro da própria economia americana; na prática, aumenta continuamente a demanda por insumos e componentes cruciais para os chips. Segundo Lima, essa dinâmica explica parte de uma pressão inflacionária: “o resultado final é… desse ciclo contínuo de expansão da demanda.”

O cenário se enquadra em discussões mais amplas sobre desequilibérios globais (Global Imbalance), onde alguns países acumulam passivos crescentes frente ao restante do mundo. Adauto Lima calculou que o país possui obrigações acumuladas superiores aos 100% do Produto Interno Bruto.

Esse quadro não surpreende especialistas internacionais; até mesmo um relatório publicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) ainda este ano apontou os Estados Unidos como peça central desses desafios financeiros globalizados. O documento detalhou déficits na conta corrente de cerca de 4% do PIB em**2024**, e uma posição líquida internacional negativa próxima a -25% da média mundial. O otimismo sobre o crescimento, contudo, é temperado por projeções fiscais elevadas que indicam déficit entre 7% e 8% do PIB nos próximos anos — patamares muito acima dos alvos estabelecidos pelo secretário Scott Bessent —, com dívida pública consolidada projetando atingir até os 140% do PIB já em 2031.

Produtividade tecnológica atrai capital global

Para Adauto Lima, esse processo de acumulação não pode ser visto apenas como uma questão financeira tradicional. Trata – se agora um movimento ancorado na produtividade gerada pela tecnologia avançada: “Como o choque de produtividade no mundo está sendo nos Estados Unidos… você quer capturar o ganho de produtividade.”

Essa demanda crescente por insumos e componentes eleva a expectativa para que as taxas americanas de juros permaneçam elevadas pelo maior tempo possível — justamente em função desse forte impacto da procura associado ao ciclo tecnológico.

A análise reforça que os EUA continuam se posicionando como principal “atrator” global de capital, impulsionados não apenas pelas finanças tradicionais, mas principalmente pelos ganhos inéditos na área tecnológica. O país segue desenhando um cenário onde é difícil encontrar alternativas tão atrativas quanto seu potencial produtivo no momento atual do mercado mundial.

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