Aegon alerta sobre risco americano antes da decisão do Fed — Brasil sente impacto

Mesmo com o crescimento notável do crédito privado e a valorização recente da moeda brasileira em relação ao dólar americano, os investidores ainda consideram que o maior risco para suas carteiras vem das decisões de política monetária dos Estados Unidos.
Segundo Frank Rybinski, chefe de estratégia macro na Aegon Asset Management— gestora responsável por US 340 bilhões —, ele alerta que há uma grande chance de Washington retomar um ciclo de aumento nos juros caso haja pressão inflacionária sobre a economia americana. Esse cenário teria impactos diretos não apenas no mercado global financeiro, mas também especificamente nas operações com ativos brasileiros.
O dilema da taxa básica e do crédito em dólares
Rybinski aponta o risco contrário ao corte: “Hoje, é menor o perigo dos cortes serem feitos negativamente comparado à possibilidade deles voltarem a subir”. Ele explica ainda que os mercados futuros já precificam até duas altas na Taxa Federal Funds Rate (Fed) antes mesmo da primavera de 2027. A especialista ressalta que um eventual recorte nos juros americanos provavelmente seria resultado direto de algum choque externo inesperado capaz de ameaçar as dinâmicas gerais de crescimento econômico.
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Para manter uma estabilidade ideal no mercado financeiro global e localmente lucrativo para empresas sólidas, Rybinski defende que os índices devem permanecer em “um ponto de equilíbrio” específico. Esse nível deve ser alto o suficiente para desincentivar a concessão excessiva de crédito arriscado; mas precisa também estar baixo bastante para atender às necessidades legítimas de financiamento das corporações mais saudáveis do setor.”
Resiliência ou estresse? O ciclo dos créditos privados
Nos últimos anos, apesar da manutenção taxas elevadas nos EUA, as carteiras institucionais passaram por uma mudança significativa: o crédito privado voltou com força total e registrou forte captação constante.
Os ativos sob gestão desse segmento cresceram drasticamente. De US158 bilhões em201, eles chegaram a quaseUS\2 trilhões no ano de 2024. Segundo Rybinski, essa expansão prova que “o crédito privado amadureceu” ao ponto de deixar sua função inicial como um nicho alternativo para se tornar hoje um mercado central robustíssimo de financiamento.”
Pressões e riscos nos empréstimos. Apesar da forte trajetória positiva do setor creditício globalmente, o ciclo prolongado dos juros altos aumentou consideravelmente as pressões sobre empresas médias com alta dependência financeira. Dados fornecidos pela S\&P mostram que a taxa média de inadimplência (default rate) no universo desse tipo de crédito era baixa — 0,5% acumulada em 12 meses até o primeiro trimestre de US 204, ficando abaixo dos cerca de2\%.
No entanto, Rybinski adverte para um fator decisivo caso haja uma desaceleração do crescimento econômico global: é preciso avaliar se há apenas adiamento e não perda real da capacidade creditícia.
A vulnerabilidade cambial brasileira
Em relação ao Brasil, a análise aponta que os ganhos proporcionados pelo diferencial entre as taxas americanas e brasileiras já foram amplamente absorvidos pela moeda nacional. Por isso, o cenário atual sugere maior exposição à volatilidade causada por choques externos inesperados.
O Real teve desempenho muito forte desde início de 2025, passando rapidamente para um dos ativos mais valorizados em comparação com outras moedas emergentes do mercado global. Os números mostram essa trajetória: se no final de US 204o dólar era negociado acima de R\6,20, ele estava próximo a R\5,10 já em julho de2026.
Isso representa uma apreciação aproximada e significativa na moeda local nesse período específico.
Recomendação estratégica. Diante desse cenário ascendente da taxa cambial brasileira, Rybinski alerta que é improvável manter esse ritmo acelerado. Essa alta probabilidade sugere um risco maior de correção provocada por algum choque externo ou pela perda gradual de credibilidade no sistema monetário brasileiro.
Por essa razão, o economista aconselha a migrar parte dos investimentos feitos em ativos locais para moedas fortes denominadas em dólar ustraquilino (ou outras divisas sólidas). Ele justifica isso pelo aumento esperado do sentimento global de “aversão ao risco”, fator capaz de provocar uma desvalorização acentuadíssima e rápida na moeda nacional frente aos principais pares internacionais.”
Diversificação como estratégia resiliente
Para construir um portfólio mais equilibrado perante essas incertezas macroeconômicas globais — seja no crédito ou nas câmbios —, Rybinski reforça que o investidor não deve focar apenas localmente. A visão é clara: haverá momentos em que Brasil oferecerá as melhores oportunidades, mas também há períodos onde os mercados financeiros internacional serão muito mais atrativos.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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