Apex Brasil lança R 130 milhões para reorientar vendas brasileiras

Apex Brasil destina R 130 milhões para impulsionar vendas brasileiras na Europa e Ásia diante das tarifas americanas.

17/07/2026 16:30

4 min

Imagem: Ricardo Stuckert/PR
Imagem: Ricardo Stuckert/PR

A Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apexbrasil) anunciou um plano estratégico com R 130 milhões, visando reorientar o comércio exterior do Brasil diante dos desafios impostos pelas tarifas americanas.

Segundo informações divulgadas nesta sexta – feira, dia 17, a verba será utilizada para diversificar as vendas brasileiras em mercados internacionais alternativos à China ou aos Estados Unidos. O anúncio foi feito após os EUA confirmarem uma tarifa adicional que impacta produtos brasileiros exportados pelo país vizinho

Foco na Europa e no Sudeste Asiático

Vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a Apexbrasil detalhou um plano de ação robusto com o apoio de cinco setores econômicos distintos. Esse esforço envolve mais de 2,4 mil empresas dedicadas às atividades exportadoras.

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“O trabalho agora é sobre diversificação; trata – se de dar um novo olhar para novas oportunidades em função deste cenário internacional,” explicou Laudemir Müller nesta coletiva presidencial da agência estatal.

As prioridades geográficas apontam fortemente para os países membros da União Europeia — especialmente após acordos recentes relacionados ao Mercosul —, além dos destinos que compõem a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). Entre estes últimos estão Indonésia, Malásia e Tailândia.

Explorando novos mercados na Ásia Central

Além desses grandes blocos econômicos, o plano também visa explorar regiões com alto potencial de crescimento no continente asiático. Os representantes citaram especificamente as repúblicas Cazaquistão e Uzbequistan.

“São economias em franco desenvolvimento; elas têm demonstrado grande interesse por parcerias brasileiras tanto para investimentos quanto comercialmente,” afirmou Müller ao detalhar os dados regionais. Estes países apresentam taxas estimadas entre 7% ou até 8% do Produto Interno Bruto (PIB), contando ainda com uma população jovem que demanda produtos manufaturados brasileiros

O impacto das tarifas americanas

A necessidade desse plano surgiu após o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) confirmar, na quarta – feira dia 15 de maio deste ano, a aplicação de tarifa adicional. O aumento foi fixado em 25%, alegando supostas práticas comerciais “desleais” por parte do Brasil.

As novas taxações entraram em vigor desde os dias subsequentes ao anúncio e atingem um grupo específico de mercadorias brasileiras no valor estimado de 7,2 bilhões dólares somente lastro nas exportações realizadas durante o último ciclo anual aos Estados Unidos.

Em comparação com isso, as vendas totais para Washington somaram impressionantes US 38 bilhões apenas nos dados referentes a *2025*

O trabalho contínuo pela diversificação

Apesar das dificuldades impostas pelo tarifaço americano — que já gerou uma redução estimada de 2,6 bilhões de dólares nas receitas do primeiro semestre deste ano —, os resultados positivos em outros destinos foram notáveis. O presidente da Apexbrasil destacou um aumento significativo no fluxo comercial.

“Tivemos crescimento expressivo tanto na Europa quanto na Índia e também mantemos o volume alto vendido à China,” relatou Müller ao citar alguns dos principais mercados alternativos. Essa tendência mostra como a busca por novos parceiros comerciais está sendo consolidada desde as primeiras tarifas americanas aplicadas ainda durante *2025*

Diversificação já avançava antes das novas taxas

O trabalho de diversificar os canais exportadores não é recente. O presidente da Apexbrasil ressaltou que esse esforço estava em andamento mesmo quando foram impostas as primeiras barreiras tarifárias pelos EUA, remontando aos anos anteriores.

“Isso significa dizer que 72% dos mais de duas mil empresas apoiadas pela agência para o mercado americano conseguiram adicionar pelo menos um novo destino às suas vendas entre junho do ano passado e maio deste ciclo,” explicou Laudemir Müller. Ainda segundo ele, há mercados fáceis de serem abertos rapidamente; contudo, outros exigem planejamento a médio ou longo prazo — chegando até à necessidade de criar demanda por produtos brasileiros no exterior.

Brasil se firma como fornecedor estável

Mesmo diante das turbulências comerciais globais, Apexbrasil avalia que Brasil tem reforçado sua imagem internacional perante os parceiros mundiais.

“O País é visto globalmente não apenas pelo comércio em si, mas também pela estabilidade e confiança,” concluiu Laudemir Müller ao citar o fluxo financeiro. Os dados mostram um recorde: houve uma entrada totalizada de US 77 bilhões dólares somente com investimentos realizados durante *o ano passado*, posicionando o país no quinto lugar entre todos os receptores internacionais do mundo.

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