Bolsonaristas propõem exceção religiosa no PL sobre misoginia

Bolsonaristas buscam exceção religiosa em PL sobre misoginia, gerando críticas governamentais à proposta.

22/07/2026 12:04

3 min

Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O texto proposto visa criar exceções legais para o enquadramento desse crime.. A proposta defende especificamente que atos considerados manifestações de opinião sejam protegidos quando se tratarem de convicção religiosa, filosófica, científica acadêmica ou política.

Contudo, essa proteção teria limites claros e não incluiria incitação direta à violência nem práticas discriminatórias vedadas pela própria lei.. O requerimento foi protagonizado pelo deputado federal Capitão Alden (PL BA), vice presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, após aprovar o texto no último dia 1de julho.

Deputados do Partido Liberal buscaram aprovar uma emenda no âmbito de um Projeto de Lei que trata da misoginia criminal — a prática motivada por desprezo ou ódio às mulheres.

A emenda conta ainda com a assinatura do sargento Fahur (PLPR)

e também das parlamentares Sargento Gonçalves (PLRN)

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  • e Alberto Fraga (PLDF.

    Com essa votação aprovada pelos proponentes, é necessário que ela seja formalmente apresentada para ser debatida integralmente na sessão plenária. A decisão final sobre seguir adiante aguarda um despacho oficial por parte do presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Motta (Republicanos PB.

    Governo federal critica emenda: risco à responsabilização

    Os defensores dessa alteração argumentam publicamente que o objetivo principal seria harmonizar “a tutela penal com as garantias constitucionais de liberdade”, abrangendo a consciência religiosa ou filosófica.

    Por outro lado, essa alegação foi rapidamente contestada pelo governo federal e órgãos ligados ao tema feminino.. O Ministério das Mulheres manifestou preocupações sérias no parecer referente ao Projeto de Lei 896/202— texto aprovado no Senado Federal e tramitando na Câmara dos Deputados sob caráter de urgência —, cujo foco é incluir práticas de ódio contra mulheres dentro da Lei do Racismo.

    A pasta destacou que o trecho proposto cria um obstáculo relevante para a devida responsabilização por discursos misóginos. Segundo análise feita pela secretaria nacional, os conteúdos misogínicos são vetores principais de propagação da violência feminina em ambientes digitais.

    A área reforçou ainda que “a própria jurisprudência constitucional é pacífica ao reconhecer que a liberdade de expressão não protege discurso discriminatório ou de ódio capazes de violar direitos fundamentais”.

    Impacto e preocupações com setores sociais

    Ministra Márcia Lopes apontou o perigo real do texto na prática legal. Ela explicou como grande parte dos materiais misóginos hoje circula sem incitações explícitas à agressão, operando pela naturalização da inferioridade das mulheres.

    O Ministério também alertou para os riscos em espaços específicos — sejam eles religiosos, acadêmicos, políticos ou digitais —, pois a disposição poderia ser interpretada erroneamente por alguns grupos autorizando indiretamente circulação de discursos que submetam as mulheres ao estereótipo discriminatório e alimentem ciclos violentos contra elas.

    Secretária Nacional Estela Bezerra reforçou ainda o risco jurídico envolvido. Ela observou na reportagem feita pelo portal Carta Capital que essa medida pode acabar blindando setores sociais importantes no Brasil, como é justamente aquele das lideranças religiosas.

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