Bolsonaristas propõem exceção religiosa no PL sobre misoginia

O texto proposto visa criar exceções legais para o enquadramento desse crime.. A proposta defende especificamente que atos considerados manifestações de opinião sejam protegidos quando se tratarem de convicção religiosa, filosófica, científica acadêmica ou política.
Contudo, essa proteção teria limites claros e não incluiria incitação direta à violência nem práticas discriminatórias vedadas pela própria lei.. O requerimento foi protagonizado pelo deputado federal Capitão Alden (PL BA), vice presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, após aprovar o texto no último dia 1de julho.
Deputados do Partido Liberal buscaram aprovar uma emenda no âmbito de um Projeto de Lei que trata da misoginia criminal — a prática motivada por desprezo ou ódio às mulheres.
A emenda conta ainda com a assinatura do sargento Fahur (PLPR)
e também das parlamentares Sargento Gonçalves (PLRN)
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Com essa votação aprovada pelos proponentes, é necessário que ela seja formalmente apresentada para ser debatida integralmente na sessão plenária. A decisão final sobre seguir adiante aguarda um despacho oficial por parte do presidente da Câmara dos Deputados, deputado Hugo Motta (Republicanos PB.
Governo federal critica emenda: risco à responsabilização
Os defensores dessa alteração argumentam publicamente que o objetivo principal seria harmonizar “a tutela penal com as garantias constitucionais de liberdade”, abrangendo a consciência religiosa ou filosófica.
Por outro lado, essa alegação foi rapidamente contestada pelo governo federal e órgãos ligados ao tema feminino.. O Ministério das Mulheres manifestou preocupações sérias no parecer referente ao Projeto de Lei 896/202— texto aprovado no Senado Federal e tramitando na Câmara dos Deputados sob caráter de urgência —, cujo foco é incluir práticas de ódio contra mulheres dentro da Lei do Racismo.
A pasta destacou que o trecho proposto cria um obstáculo relevante para a devida responsabilização por discursos misóginos. Segundo análise feita pela secretaria nacional, os conteúdos misogínicos são vetores principais de propagação da violência feminina em ambientes digitais.
A área reforçou ainda que “a própria jurisprudência constitucional é pacífica ao reconhecer que a liberdade de expressão não protege discurso discriminatório ou de ódio capazes de violar direitos fundamentais”.
Impacto e preocupações com setores sociais
Ministra Márcia Lopes apontou o perigo real do texto na prática legal. Ela explicou como grande parte dos materiais misóginos hoje circula sem incitações explícitas à agressão, operando pela naturalização da inferioridade das mulheres.
O Ministério também alertou para os riscos em espaços específicos — sejam eles religiosos, acadêmicos, políticos ou digitais —, pois a disposição poderia ser interpretada erroneamente por alguns grupos autorizando indiretamente circulação de discursos que submetam as mulheres ao estereótipo discriminatório e alimentem ciclos violentos contra elas.
Secretária Nacional Estela Bezerra reforçou ainda o risco jurídico envolvido. Ela observou na reportagem feita pelo portal Carta Capital que essa medida pode acabar blindando setores sociais importantes no Brasil, como é justamente aquele das lideranças religiosas.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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