Brasil enfrenta lacuna no ensino de inglês, aponta CEO TOEIC

Apesar do esforço histórico em aumentar as horas-aula e os recursos didáticos, o ensino de inglês no Brasil enfrenta um desafio estrutural: a lacuna entre o conhecimento acadêmico e a capacidade real de uso em contextos profissionais. Segundo Monica Pasello, CEO da TOEIC Brasil, o sistema educacional frequentemente falha em preparar o aluno para o mercado de trabalho global.
Essa defasagem é evidenciada pelo fato de que, mesmo com diplomas que indicam “inglês intermediário”, muitos estudantes travam ao tentar utilizar o idioma em reuniões ou negociações com clientes estrangeiros.
A Discrepância entre Currículo e Proficiência no Mercado Global
O mercado de trabalho, por sua vez, não adia essa exigência. O Fórum Econômico Mundial, em seu relatório Future of Jobs 2025, destacou que habilidades de comunicação em contextos internacionais figuram entre as dez competências mais requisitadas no período de 2025 a 2030.
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Este cenário é potencializado pelo aumento de empresas brasileiras com atuação internacional e pela crescente adoção do trabalho remoto em equipes multiculturais.
Nesse contexto, o inglês funcional deixou de ser um diferencial e se tornou um critério eliminatório em praticamente todos os setores de recrutamento. O problema, portanto, não reside na quantidade de aulas de inglês cursadas, mas na habilidade de aplicar o idioma no cotidiano profissional.
Existe uma confusão pedagógica que permeia tanto o ensino básico quanto o superior: a crença de que completar um currículo equivale a desenvolver uma competência funcional. Contudo, a avaliação escolar tradicional mede apenas a memorização de conteúdos, e não a capacidade prática do aluno de utilizar o idioma em situações reais.
A verdadeira métrica é a proficiência, que avalia a capacidade de compreender, falar, ler e escrever em simulações que espelham o ambiente acadêmico e profissional. Sem que as instituições de ensino incorporem essa distinção em sua gestão pedagógica, o sistema continuará formando profissionais que precisarão de requalificação intensiva após a formatura, gerando custos elevados para o aluno, a empresa e a economia nacional.
Três Mudanças Pedagógicas para o Ensino de Inglês
Para que os estudantes estejam aptos a competir no cenário global, é necessário implementar três grandes deslocamentos na metodologia de ensino de inglês. O primeiro é substituir a lógica do conteúdo pela lógica da competência. O planejamento pedagógico deve ser guiado pela pergunta: “Qual nível de proficiência nosso aluno deve atingir ao final deste ciclo?”.
Este reposicionamento muda o foco da instrução para o resultado prático. Em segundo lugar, é crucial integrar avaliações de proficiência ao longo de toda a jornada escolar. Isso envolve um diagnóstico inicial, acompanhamento formativo contínuo e uma certificação somativa ao término.
Este modelo de avaliação já é adotado por redes de ensino em países com alto desempenho linguístico e está ganhando tração no Brasil. Por fim, as instituições devem adotar padrões internacionais de teste como referência. Esses testes fornecem um espelho comparável, permitindo saber não apenas o progresso individual, mas o nível de comparação global do estudante.
Monica Pasello ressalta que a responsabilidade de tomar decisões baseadas em dados de aprendizagem recai sobre gestores e secretarias de educação. É impossível planejar uma política de empregabilidade estudantil sem saber, de forma confiável, o ponto de partida e o ponto de chegada de cada turma.
O Plano Nacional de Educação 2026–2036, sancionado recentemente, reforça essa necessidade de acompanhamento. Portanto, a mudança deve ser sistêmica, garantindo que o aprendizado esteja alinhado com as demandas do mercado de trabalho global.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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