Brasil enfrenta retaliação comercial dos EUA por alegações de trabalho forçado na carne bovina

Alegação de Trabalho Forçado no Setor Bovina Brasileira Desencadeia Retaliação Comercial dos EUA
O governo americano apresentou nesta terça-feira, 2, uma nova acusação contra o Brasil, alegando o uso de trabalho forçado na cadeia produtiva da carne bovina. A medida visa pressionar outros países a adotarem medidas mais rigorosas para impedir a importação de produtos associados a práticas de trabalho escravo.
A iniciativa, que inclui a proposta de tarifas adicionais de 12,5% para países que, segundo Washington, não combatem efetivamente o problema, reacende tensões comerciais entre as nações.
Evidências Apresentadas: Listas e Pesquisas Independentes
O governo americano fundamenta sua acusação em registros “amplamente documentados” de trabalho forçado na produção de gado no Brasil, citando pesquisas independentes e a lista TVPRA, mantida pelos Estados Unidos. O relatório afirma que a TVPRA indica a existência de razões para suspeitar de trabalho forçado na produção de gado brasileiro, corroborado por pesquisas que apontam para pecuaristas brasileiros na chamada “Lista Suja”.
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Essa lista é utilizada para identificar empresas com histórico de violações de direitos trabalhistas.
Comparativo de Exportações: Brasil e EUA em Foco
O documento compara o desempenho das exportações brasileiras e americanas de carne bovina congelada entre 2015 e 2025. Observa um crescimento exponencial das exportações brasileiras, que praticamente dobraram, enquanto as exportações americanas aumentaram apenas 21%.
Essa disparidade, segundo o relatório, demonstra uma desvantagem competitiva para os produtores dos EUA.
Brasil Liderança Global em Produção de Carne Bovina em 2025
Em 2025, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos na liderança global da produção de carne bovina, atingindo 12,3 milhões de toneladas, superando os 11,8 milhões de toneladas produzidos pelos americanos, conforme dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
O volume de exportações brasileiras também cresceu significativamente, atingindo 3,5 milhões de toneladas, um aumento de 21% em relação ao ano anterior. O principal destino da carne brasileira continua sendo os Estados Unidos, que importaram 271,8 mil toneladas em 2025, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec).
Crise da Carne nos EUA: Impacto nos Preços
A crise do gado nos EUA tem impactado diretamente os preços da carne no país. Em abril de 2026, o preço da carne moída atingiu um recorde de US$ 6,90 por libra-peso, impulsionado pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), órgão responsável pelas estatísticas trabalhistas dos Estados Unidos.
Esse valor representa quase o dobro do registrado há dez anos e uma alta de aproximadamente 20% em relação ao mesmo período de 2025.
Os preços da carne bovina nos Estados Unidos continuam em alta, acumulando uma valorização de 75% desde 2020, segundo dados do Federal Reserve de St. Louis. Essa escalada de preços tem gerado debates sobre os fatores que contribuem para a pressão sobre os custos ao longo da cadeia pecuária, com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos investigando grandes processadoras de carne, como JBS, Cargill e Tyson Foods.
A contração do ciclo pecuário nos EUA, marcada pela redução do rebanho e menor oferta de animais para confinamento, tem agravado a situação. O rebanho de corte caiu 13% entre 2019 e 2025, atingindo o menor nível desde 1952, segundo dados do USDA.
A seca prolongada no oeste americano, que elevou os custos com ração e reduziu áreas de pastagem, também contribuiu para a crise, levando produtores a liquidarem parte de seus rebanhos.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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