BTG Pactual adota carteira conservadora após queda do Ibovespa em julho

O BTG Pactual adotou uma postura mais conservadora em sua carteira de ações recomendadas para julho após quatro meses consecutivos com queda no Ibovespa e mudanças na percepção dos investidores estrangeiros sobre o Brasil.
Segundo relatório divulgado nesta quarta – feira, 1º dia do mês, a principal alteração foi a inclusão da Ambev (ABEV 3), enquanto Localiza (RENT 3) e Equatorial (EQTL 3) deixaram temporariamente os ativos selecionados pelo banco. Os estrategistas apontam que essa mudança não sinaliza piora nas empresas brasileiras; ao contrário, reflete um cenário macroeconômico incerto onde “as ações brasileiras perderam espaço perante os investidores estrangeiros”.
Cenário de cautela: inflação restringe cortes na Selic
A avaliação dos analistas aponta para uma persistência do desafio inflacionário acima da meta estabelecida. Isso limita o potencial de redução nos cortes da taxa básica de juros (Selic), dificultando também a capacidade flexível das políticas monetárias locais conduzidas pelo Banco Central brasileiro.
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O banco chamou atenção especial, ainda, para a expansão significativa dos gastos públicos que ocorrerá nas vésperas das eleições presidenciais em outubro. Estima – se um aporte superior a R 200 bilhões entre medidas fiscais e parafiscais; esse movimento elevou as taxas reais de longo prazo para 7,9% no final de junho, aumentando os riscos do mercado financeiro nacional.
Mudanças na carteira: foco defensivo após retração global
Apesar da percepção de preços baixos — o Ibovespa negocia apenas 9,7 vezes lucro projetado nos próximos 12 meses —, há uma crescente incerteza que exige maior cautela. “Embora pareçam baratas”, alertam os estrategistas, pois a ausência clara de catalisadores curtos prazos e um cenário mais nebuloso forçaram tornar a seleção (a portfólio chamado 10SIM) ligeiramente mais defensiva.
Essa desconfiança é visível no fluxo internacional; até meados de abril, fundos aportaram R 69 bilhões na bolsa brasileira. Contudo, desde então o valor retirou para cerca deR\36 bi, com apenas junho registrando uma saída de R 8,8 bi. O BTG atribui essa retração à deterioração das expectativas inflacionárias e ao aumento da incerteza política do país em relação às carteiras globais.
Ambev volta por fatores microeconômicos
A entrada no portfólio foi marcada pela Ambev (ABEV 3), que estava ausente há um longo período. Para o banco, a companhia apresenta características defensivas importantes para momentos difíceis: possui caixa líquido robusto, gera fluxo consistente de dinheiro e conta com liquidez elevada; além disso, seu dividend yield é estimado entre 7,5%.
O argumento dos estrategistas vai mais fundo na análise da empresa. Segundo eles, “é pioneirismo em pouco mais de uma década nos fazer favoráveis os fatores internos”. A expectativa agora permite à gigante bebidas recuperar participação contra concorrentes como Heineken por meio do repasse eficiente de preços ao consumidor final e se beneficiar também das políticas hedge adotadas pela própria Ambev. Outra mudança relevante foi o retorno no portfólio Allos (ALOS 3), que combina receitas previsíveis, proteção inflacionária forte e um dividendo esperado próximo a 13%.
Impacto imobiliário e ativos estratégicos
No setor imobiliário, houve elevação da exposição na Cury (CURY 3) em 5% para atingir os 10%. O BTG vê essa companhia como uma grande ganhadora com as mudanças recentes implementadas pelo programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). A expectativa de crescimento do lucro por ação é alta: cerca de 35% até o ano de 2026.
A Petrobras (PETR 4), mesmo após acordos entre Estados Unidos e Irã que selaram um pacto de paz em junho, manteve – se no portfólio recomendado. Ela continua sendo vista pela estatal brasileira como um seguro contra novos episódios geopolíticos instáveis, oferecendo dividend yield estimado na faixa dos 11% ainda operando sob preço internacional de petróleo a US 70 por barril.
Portfólio Recomendado BTG Pactual — 10SIM
A seleção final também conta com Axia Energia (AXIA 3), Eneva (ENEV 3) e Itaú Unibanco (ITUB 4). O banco destaca que o peso do portfólio é distribuído em ativos considerados estratégicos. Por exemplo: Motiva (MOTV 3) tem um percentual igual ao da Embraer (EMBJ 3); enquanto Totvs (TOTS 3) mantém uma alocação de 10%.
O relatório oficial, atualizado para julho/2026, detalha a distribuição dos pesos no fundo 10SIM como segue:
Itaú Unibanco (ITUB 4): Peso na carteira fixado em 15%
(Nota de ajuste interna – o sistema não deve mostrar listas ou marcadores)
(Revisão final para remover a lista e manter apenas parágrafos, conforme regra) A seleção completa inclui Itaú Unibanco (ITUB 4) com 15%, Petrobras (PETR 4), Axia Energia (AXIA 3), Embraer (EMBJ 3), Eneva (ENEV 3), Ambev (ABEV 3), Motiva (MOTV 3) e Totvs (TOTS 3); cada um desses ativos tem peso igual na carteira.
Por fim, Allos (ALOS 3) recebe uma alocação de 5% do portfólio total; Cury (CURY 3) mantém o percentual sugerido em 10%.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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