Bullguer: Da Expansão ao Recomeço Após Recuperação Judicial e Crise Societária

Bullguer: Da Expansão Explosiva à Recuperação Judicial e um Novo Capítulo
Em dezembro de 2015, a Bullguer já havia ultrapassado a marca de 94 mil hambúrgueres vendidos, número que justificava um plano de expansão ambicioso. A rede de hamburguerias, nascida em São Paulo em 2014 e pioneira no conceito de smashburguer – um hambúrguer de carne prensada e com uma textura bem particular – contava com 44 lojas, a maior parte delas próprias, e operava tanto no Brasil quanto em Portugal.
No entanto, quase uma década depois, a empresa enfrentava um desafio muito maior: uma dívida de aproximadamente 113 milhões de reais.
A situação crítica culminou em um pedido de recuperação judicial em 2022, motivado por uma crise societária que se agravou com os impactos da pandemia. Durante os anos seguintes, a Bullguer se dedicou a pagar suas dívidas, buscando, ao mesmo tempo, organizar a empresa para um novo momento de crescimento. “A recuperação não foi negativa, acabou sendo positiva”, afirmou Alberto Abbondanza, um dos sócios-fundadores, em entrevista à EXAME.
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A História por Trás da Marca
A Bullguer nasceu da união de três amigos de infância: Ricardo Santini, Alberto Abbondanza e Thiago Koch. Thiago, que viera da área da cozinha, trazia experiência em restaurantes renomados de São Paulo, como Le Vin, Beato e Epice. Alberto e Ricardo, por sua vez, tinham experiência administrativa no setor, tendo sido sócios de uma pizzaria e de um restaurante de comida saudável.
Diante da falta de capital inicial, os três convidaram amigos para investir, formando a empresa com os três sócios-fundadores e um grupo de investidores pessoas físicas, os investidores ocultos.
O Deslize e a Recuperação Judicial
O negócio começou a crescer rapidamente, com a rede expandindo para 31 lojas e adotando o modelo de franquia. Contudo, em 2019, a relação entre os fundadores e os investidores começou a se deteriorar. Os investidores ocultos queriam realizar os lucros, e a solução encontrada foi a recompra das quotas da empresa, com um investimento inicial de 1 milhão de reais e pagamentos parcelados ao longo de vários anos.
A pandemia agravou a situação, levando a empresa a ter dificuldades em cumprir os acordos de pagamento. Apesar de tentar compensar a queda nas vendas com o serviço de delivery, as altas taxas cobradas pelos aplicativos de entrega corroíam a margem de lucro.
Novas negociações fracassaram, intensificando a crise societária, e em 2021, parte dos investidores ocultos entrou com uma ação de execução contra a empresa, bloqueando recursos em conta. A combinação de crise societária, os impactos da pandemia, dívidas com fornecedores e as taxas de entrega culminou no pedido de recuperação judicial.
Reorganização e Plano de Expansão
Durante o processo de recuperação judicial, a Bullguer manteve suas lojas abertas e operando normalmente. Os sócios-fundadores assumiram funções executivas, como chefe de operações e financeiro, o que ajudou a reduzir custos. A empresa também focou na qualidade do produto e do cardápio, mantendo a receita básica, que era considerada o principal fator de sucesso. “A gente manteve basicamente a mesma receita de tudo, o cardápio ainda é muito parecido de quando iniciou a recuperação judicial, porque entendemos que produto é quem manda”, disse Abbondanza.
A empresa também desenhou um plano de expansão, com foco em mercados estratégicos, como o interior de São Paulo, o Grande São Paulo, o Rio de Janeiro, Brasília e os estados do Sul, como Santa Catarina.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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