Bumble avalia venda após queda de assinantes e receitas

O Bumble, aplicativo de relacionamentos que já atingiu um valuation superior a US 7 bilhões na bolsa e hoje é avaliado por cerca de US 388 milhões, estaria considerando uma possível venda.
Fontes ouvidas pela Reuters indicaram ao portal o contrato do app com Morgan Stanley para coordenar esse processo de desinvestimento da plataforma brasileira – americana em questão.
Declínio financeiro aponta desafios no mercado
Os números recentes mostram sinais preocupantes sobre os resultados financeiros. Em comparação anual referente aos dados de **2025**, a receita total caiu quase dez%, chegando à marca dos US 965,7 milhões. Além disso, houve um encolhimento na base ativa: assinante diminuiu cerca de onze e meio por cento, ficando apenas nos 3,7 milhões usuários registrados naquele ano.
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O recuo foi ainda mais acentuado ao analisar o primeiro trimestre deste ano em curso. A queda da arrecadação atingiu patamares significativos — uma redução de 14,1% comparando – se com períodos anteriores —, resultando em somente US 212,4 milhões em receitas no período analisado; os pagantes caíram para menos dos 3,2 milhões utilizadores ativos do serviço pago.
Apesar desse cenário negativo geral na base de assinaturas, cabe notar que houve um aumento positivo: por outro lado, o ticket médio cobrado pelos usuários pagos subiu oito vírgula nove por cento durante este mesmo primeiro trimestre.
Desempenho competitivo e a perda de engajamento
Especialistas apontam uma discrepância preocupante. Segundo dados levantados pelo Inc., embora o Bumble esteja aumentando seus preços ou exigindo mais pagamento daqueles já cadastrados, ele está perdendo novos clientes em ritmo crescente no mercado digital brasileiro – americano.
A comparação com os concorrentes revela ainda maiores dificuldades para a plataforma. Enquanto isso ocorre na concorrência direta do setor — como visto nos resultados da Match Group (dona dos apps Hinge e eHarmony) —, que registrou US 864 milhões em receita apenas no primeiro trimestre; essa mesma companhia viu seu braço principal crescer consideravelmente.
O aplicativo rival **Hinge**, por exemplo, manteve um crescimento de usuários ativos diários pelo menos oito trimestres consecutivos, conforme levantamento feito pela empresa Apptopia. Em contraste direto nesse mesmo período analisado, o Bumble foi registrado caindo sua base ativa diariamente seis vezes ao longo desses últimos oito bimestres.
Adam Blacker, diretor de relações públicas na Apptopia, tranquilizou os investidores dizendo: “isso não parece fadiga geral dos apps de relacionamento”. No entanto, ele complementou que a plataforma está perdendo engajamento mais rapidamente do tempo em que perde usuarios.
Aposta tecnológica e críticas sobre IA
Diante da pressão financeira e competitiva, Whitney Wolfe Herd retornou como CEO no mês de março de 2025. Ela tentará reconstruir o Bumble com uma experiência muito mais personalizada para usuários através das ferramentas baseadas em inteligência artificial (IA). A empresa anunciou um assistente chamado Bee além de criar recursos voltados justamente à redução desse intervalo entre fazer “match” virtualmente até encontrar – se pessoalmente. Em vez disso é possível notar a proposta radical: abandonar completamente aquele formato clássico baseado apenas na função deslizar cartões.
Apesar do esforço estratégico focado em IA — que também foi acompanhado pela Match Group, dona dos apps Hinge e **eHarmony**, registrando US 864 milhões no primeiro trimestre —, o professor Paul Eastwick da Universidade da Califórnia em Davis levantou dúvidas.
Ele alertou ao Inc., dizendo ser pessimista quanto aos resultados se for treinado com dados prévios de encontros pessoais; “Se a IA é treinada com os dados disponíveis antes de as pessoas se encontrarem pessoalmente […] sou pessimista de que ela resolva algum problema”.
Perspectivas futuras do mercado
Enquanto alguns especialistas apontam para um sentimento entre usuários, como citado por Katy Coduto (professora de ciências da mídia na Universidade de Boston), onde eles passam pela sensação de fazer apenas “um investimento sem garantia de retorno” devido à crescente cobrança em funcionalidades pagas.
O Bumble e o Inc não responderam aos pedidos feitos sobre esses fatos.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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