BYD expande produção automotiva para Camaçari buscando liderança nas Américas

BYD acelera plano para se tornar maior fabricante automotiva das Américas com produção nacional até 2026.

17/07/2026 13:14

4 min

Além do Dolphin Mini, a linha baiana também monta o sedã híbrido King e o SUV híbrido Song Pro
Além do Dolphin Mini, a linha baiana também monta o sedã híbrido...

A gigante chinesa BYD busca transformar o município baiano de Camaçari no seu principal polo automotivo nas Américas e na maior linha de montagem do Brasil. Atualmente, esse título pertence à unidade da Stellantis com sua Fábrica da Fiat localizada em Betim, Minas Gerais.

Em atualização feita nesta quinta – feira (16>), a BYD detalhou um novo cronograma para todo o complexo industrial local. A fábrica já monta os modelos Dolphin Mini, King e Song Pro desde outubro de 2025; contudo, por enquanto opera apenas sob regime SKD — ou seja, recebendo veículos semidesmontados que passam pela etapa final no país —, não realizando ainda todos processos industriais completos na totalidade.

Expansão do polo: meta é nacionalizar produção até 2026

A virada completa da operação deve começar em agosto com uma fase experimental de produção inédita para a empresa. Esse avanço industrial será acompanhado pelo aumento significativo das estruturas físicas existentes.

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Até o fim de 2026, espera – se contar dentro deste complexo baiano três áreas centrais cruciais — estamparia, soldagem e pintura —, elementos que elevarão drasticamente o grau de conteúdo local dos veículos produzidos no Brasil.

O empreendimento possui um vastíssimo espaço físico: são impressionantes os 4,65 milhões metros quadrados – equivalente ao tamanho de mais de 645 campos de futebol –, tornando Camaçari a maior unidade da BYD fora do território chinês. A capacidade inicial prevista é para atender até 150 mil carros por ano.

Milestone com montagem recorde em Salvador

A ambição industrial já foi marcada recentemente pela marca chinesa; nos nove meses que opera na Bahia, ela alcançou o marco simbólico dos 100 mil veículos totalmente montados no complexo.

O carro número um centenas mil unidades produzido localmente foi um Dolphin Mini — modelo elétrico líder de vendas há cinco meses consecutivos e responsável pelas mais de 35 mil unidades vendidas neste ano. Além dele, a linha baiana também monta os modelos sedã híbrido King e SUV híbrido Song Pro.

Essa combinação entre volume elevado em produção eletrificada mostra como é possível unir relevância comercial nacional com alta capacidade produtiva para atender ao mercado brasileiro moderno.

Impactos econômicos: empregos diretos e conteúdo local

O investimento total na unidade atingiu o valor bilionário de R 5,5 bilhões — quantia já integralizada pela montadora. Segundo Alexandre Baldy, vice – presidente sênior da BYD do Brasil, esse aporte financeiro cobre todo complexo industrial junto à verticalização completa da cadeia.

Ele enfatizou que os prédios existentes serão destinados especificamente à fabricação de peças, partes ou componentes com foco em aumentar cada vez mais a participação local no processo produtivo.

Com essa estrutura robusta, espera – se contribuir para um impacto significativo: até plena capacidade operacional, a fábrica deve gerar cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos na região.

O futuro premium passa pela Denza?

A expansão também levanta uma questão estratégica sobre o papel potencial do grupo BYD dentro da Bahia. A marca premium associada ao conglomerado é a Denza; embora não haja planos confirmados hoje para montar veículos dessa linha em Camaçari,

existe no radar técnico essa possibilidade, especialmente com modelos como o SUV Denza B 5 — que utiliza plataforma similar à picape BYD Shark —, tornando tecnicamente viável sua montagem local.

Estratégia de exportação e base nas Américas

Para além dos números locais, toda estratégia desenhada pela BYD visa posicionar a Bahia como um verdadeiro hub industrial capaz de sustentar seu crescimento na região das Américas. A ideia central é transformar esta planta baiana não só num centro massivo para carros eletrificados do país, mas também em uma importante porta de saída (hub) de veículos destinados ao mercado regional.

A companhia já possui mais de dez anos no Brasil com outras operações importantes: fábricas que produzem módulos fotovoltaicos ou chassis elétricos de ônibus em Campinas; produção de baterias em Manaus e montagem de diversos modelos eletronizados.

No setor automotivo especificamente falando, o projeto Camaçari representa a iniciativa mais ambiciosa da empresa até hoje. Ele busca reposicionar completamente Bahia dentro desta nova fase industrial brasileira — marcada pela escala gigantesca dos investimentos na eletrificação veicular nacional —, superando os limites do modelo tradicional para se tornar um polo moderno globalmente conectado.

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