Carlos Nobre Alerta: Amazônia Vital para Economia Global e Futuro da Europa

Alerta de Climatologista: Amazônia é Essencial para a Economia Global
Em meio aos debates sobre bioeconomia e a crescente crise climática de 2026, o renomado climatologista Carlos Nobre emitiu um alerta urgente ao setor empresarial. A preservação da Amazônia, segundo ele, deixou de ser apenas uma questão ambiental e se tornou uma exigência econômica global. “A economia perde bilhões com o desmatamento, e a Europa não tolerará produtos ligados a práticas destrutivas da floresta”, declarou Nobre durante uma entrevista à EXAME, realizada em Belém, no contexto do evento.
O Papel do Vaticano e a Integralidade do Desenvolvimento
Nobre é uma figura de destaque, atuando como membro do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, órgão do Vaticano dedicado a discutir temas como justiça social, meio ambiente e desenvolvimento sustentável. Ele é o único especialista em área ambiental entre os 11 integrantes anunciados pelo pontífice.
Essa colaboração reflete a crença de Nobre de que a proteção total da natureza e da biodiversidade é fundamental para o desenvolvimento humano integral, conforme defendido pela Igreja Católica.
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Desafios Econômicos e Mudanças no Setor Privado
O cientista brasileiro destaca que a principal ameaça econômica ao Brasil reside no avanço de barreiras comerciais relacionadas ao desmatamento. Exemplos disso são as novas regulamentações europeias que restringem a importação de produtos provenientes de áreas desmatadas após 2020. “A Europa deixou claro que não comprará produtos associados ao desmatamento”, afirmou Nobre, impactando setores como a carne e a soja.
Dados do INPE revelam uma queda de 11,08% no desmatamento da Amazônia em 2025, um índice recorde nos últimos 11 anos, embora a floresta ainda enfrente pressões devido a queimadas e expansão agropecuária.
Empresas Adotando Práticas Sustentáveis
Nobre ressaltou que algumas empresas já estão mudando suas práticas, incorporando rastreabilidade e critérios ambientais em suas cadeias produtivas. A Natura, por exemplo, é citada como pioneira no uso sustentável da biodiversidade amazônica, buscando fornecedores sem associação com desmatamento.
Mudanças também foram observadas na cadeia da carne, com a Bunge implementando regras rígidas de monitoramento para evitar a compra de animais de áreas desmatadas, e o Carrefour adotando uma política semelhante. Nobre defende que o uso do fogo na pecuária deveria ser restrito, devido ao alto risco de incêndios.
O Ponto de Não Retorno e a Urgência da Ação
Com mais de quatro décadas de estudo da Amazônia, Carlos Nobre alertou para o cenário do “ponto de não retorno”, onde a floresta perderia sua capacidade de regeneração e se transformaria em uma savana. Ele também apontou para a degradação no sul e sudeste da Amazônia, com a estação seca se estendendo por mais tempo. “Nós precisamos zerar o desmatamento imediatamente e iniciar uma restauração florestal em grande escala”, afirmou Nobre, enfatizando que o futuro da floresta dependerá das ações tomadas nos próximos anos.
Se a temperatura global atingir 2 graus de aquecimento, o risco de a Amazônia ultrapassar esse ponto de não retorno se intensificará.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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