Celso Ferrer alerta: Renda baixa freia o crescimento do turismo aéreo no Brasil

Celso Ferrer aponta crise no turismo aéreo: baixa renda limita o crescimento do setor. CEO da Gol alerta para a disputa por gastos com apostas online

12/06/2026 16:10

3 min

Celso Ferrer alerta: Renda baixa freia o crescimento do turismo aéreo no Brasil
(Imagem de reprodução da internet).

Desafios para o Crescimento do Turismo Aéreo no Brasil

O setor de aviação e turismo no Brasil enfrenta obstáculos que vão além do custo das passagens aéreas. Segundo Celso Ferrer, CEO da Gol Linhas Aéreas, a principal dificuldade reside na renda disponível da população e na crescente competição com novas formas de consumo, como as apostas esportivas online.

A declaração foi feita durante o seminário Lide Turismo, ocorrido em São Paulo, na quarta-feira, 10 de maio de 2026.

Ferrer apontou uma redução de 19% na renda dos brasileiros nos últimos dez anos, o que impacta diretamente o poder de compra e a demanda por viagens. Essa situação se agrava com a disputa por atenção e dinheiro das pessoas, que agora são atraídas por outras opções de consumo, como jogos de apostas.

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Ele ressaltou que comunidades com renda abaixo de quatro salários mínimos tendem a priorizar gastos imediatos em detrimento de viagens.

O executivo enfatizou que, apesar da tarifa de entrada da aviação permanecer acessível historicamente, a baixa renda disponível limita o potencial de crescimento do setor. A empresa poderia transportar significativamente mais passageiros se não houvesse essa pressão orçamentária sobre as famílias.

A situação atual força a aviação a competir com outras formas de entretenimento e consumo.

Apesar dos desafios, Celso Ferrer identifica condições para uma “quarta onda” no crescimento da aviação comercial brasileira. O setor passou por diferentes fases de expansão, impulsionadas por transformações estruturais. A primeira fase, nos anos 2000, viu o mercado atingir 30 milhões de passageiros anuais com a popularização do transporte aéreo.

A segunda onda foi marcada pela expansão da aviação regional, conectando cidades brasileiras. No entanto, o setor enfrentou uma “década perdida” entre 2010 e 2020, com crescimento estagnado e investimentos limitados no turismo.

Atualmente, o crescimento do setor é impulsionado principalmente pelo aumento da frequência de viagens de passageiros que já utilizam o transporte aéreo. Essa tendência, conhecida como “viagem de incentivo”, ocorre quando um indivíduo conhece um destino e, posteriormente, retorna para visitar a mesma localidade com sua família, após ter descoberto o lugar.

Essa dinâmica de crescimento interno é vista como fundamental para o futuro da aviação no Brasil.

A infraestrutura aeroportuária, desenvolvida ao longo das décadas, e a mudança no comportamento do consumidor são fatores-chave para a próxima fase de expansão. Políticas de incentivo, como a redução de impostos sobre o combustível de aviação, também são consideradas importantes para estimular a conectividade aérea e atrair investimentos no setor turístico, como nos casos de Jericoacoara e Bonito.

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