Cratera Gigante em Tapuí Revela Segredo de Impacto Meteorítico!

Cratera em São Miguel do Tapuio Revela Origem Meteorítica
Pesquisadores da Unicamp confirmaram que a cratera de 21 quilômetros de diâmetro em São Miguel do Tapuio, Piauí, foi formada por um impacto de meteoro. A descoberta, publicada na revista Meteoritics & Planetary Science, posiciona a formação geológica como a segunda maior cratera de impacto da América do Sul, superada apenas pela cratera do Domo do Araguainha, localizada na fronteira entre Mato Grosso e Goiás, com cerca de 40 quilômetros de diâmetro.
A Nona Cratera Confirmada no Brasil
A cratera piauiense é a nona do tipo confirmada no Brasil e a 37ª maior do mundo. Atualmente, estima-se que existam aproximadamente 200 crateras de impacto confirmadas em todo o planeta, resultado de eventos causados pela queda de corpos celestes. A identificação da origem foi possível através da análise de deformações por choque em grãos de quartzo.
O estudo, liderado pelo professor Alvaro Crósta da Unicamp, revelou que as pressões envolvidas no impacto atingiram cerca de 20 gigapascais, equivalentes a 200 mil atmosferas. Crósta já estudava a formação dessas estruturas desde a década de 1980, após a identificação da estrutura circular em imagens de radar do Projeto Radambrasil.
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Análise Detalhada e Evidências Microscópicas
A morfologia da cratera apresenta uma borda externa em forma de anel, diversos anéis internos e uma área central elevada, características típicas de crateras de impacto do tipo complexo. A equipe de pesquisa considerou que estruturas circulares de grandes dimensões também podem surgir por processos internos da Terra, como intrusões de rochas ígneas.
Por isso, a forma circular sozinha não era suficiente para confirmar a origem meteorítica.
A comprovação definitiva dependeu da identificação de evidências microscópicas nas rochas. Essas evidências foram encontradas em amostras de arenito coletadas na região central da cratera. A análise das amostras foi realizada na Universidade de Viena, na Áustria, com a participação de pesquisadores de diversas universidades brasileiras e internacionais.
Desafios e Avanços na Pesquisa
O acesso à área da cratera, localizada em uma região isolada com relevo acidentado a cerca de 215 km a leste de Teresina, representou um desafio para os pesquisadores. Crósta realizou três expedições à região ao longo de quase cinco décadas, mas só conseguiu acessar a área central com apoio de um guia local na última expedição, ocorrida em 2017.
Na expedição de 2017, Crósta e Marcos Alberto Rodrigues Vasconcelos, docente da Universidade Federal da Bahia, conseguiram coletar amostras de arenito que foram posteriormente analisadas em laboratório. O estudo também utilizou dados topográficos obtidos através de satélites de radar TanDEM-X (Alemanha) e Sentinel-2 (Europa), permitindo uma análise detalhada da topografia e morfologia da cratera, que está em estágio avançado de erosão.
Análises utilizando um método baseado em traços de fissão no mineral zircão indicaram dois intervalos possíveis para a idade da cratera: cerca de 159 milhões de anos ou 267 milhões de anos. A pesquisa envolveu a colaboração de universidades federais de Santa Catarina, São Carlos, Brasília e Ceará, além da Universidade de São Paulo, ampliando o conhecimento sobre a história geológica do Brasil.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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