Desgaste profissional cresce com incertezas financeiras no Brasil

Desgaste profissional aumenta com incertezas econômicas no Brasil, impactando bem-estar financeiro e rotinas domésticas.

17/07/2026 15:13

4 min

Preocupação financeira consome atenção e afeta desempenho no ambiente corporativo
Preocupação financeira consome atenção e afeta desempenho no amb...

Apesar dos investimentos crescentes em programas focados no bem – estar mental — como palestras ou semanas temáticas —, os profissionais relatam maior desgaste devido à insegurança econômica e às contas domésticas. Esse dado foi revelado pelo levantamento inédito realizado pela HIT Terapias Holísticas.

O estudo contou com a participação de 427 pessoas da área de Recursos Humanos (RH), lideranças e executivos, apontando que finanças pessoais se tornou o ponto mais crítico entre todos os pilares avaliados na pesquisa.

Finança pessoal é pilar menos saudável para trabalhadores

Dos onze aspectos analisados no questionário abrangente, as questões financeiras obtiveram uma média baixa de apenas 5,8 pontos em escala geral. Este resultado fica consideravelmente abaixo das notas registradas por saúde mentalemocional (6,2) e também pela saúde física (6,7.

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A metodologia do estudo não permitiu a pontuação “saudável” em nenhum dos dezesseis critérios examinados; finanças ficou atrás até mesmo quando o público era composto exclusivamente por executivos C – levels.

O problema transcende os níveis hierárquicos

Entre os 127 participantes que ocupam cargos de presidentes ou diretores gerais — chamados C – levels—, as dimensões financeiras foram novamente apontadas como um ponto crítico. Isso sugere claramente que essa preocupação econômica ultrapassa e desconsidera qualquer nível na estrutura corporativa, afetando todos igualmente.

Impacto da economia no ambiente profissional

Paty Palhares, CEO e fundadora das Terapias Holísticas, atribui o resultado a fatores macroeconômicos do país. Segundo ela, há uma inflação acumulada em diversos serviços acompanhada por uma sensação constante de insegurança financeira entre os cidadãos.

“Hoje, eu mais escuto nas empresas: vou ao mercado, compro duas sacolinhas e dá R 300″, relatou ainda Paty sobre essa percepção crescente dos custos de vida. Essa visão desvinculou completamente saúde financeira do campo estritamente pessoal; passou – se para um tema que afeta diretamente resultados no trabalho.”

Preocupações financeiras consomem energia mental

Para a fundadora da HIT Terapias Holísticas, o impacto é até mesmo cognitivo. A preocupação diária com dinheiro impõe uma carga constante na capacidade cerebral das pessoas.

Esse desgaste reduz drasticamente tanto os níveis de concentração quanto as habilidades necessárias para tomar boas decisões ao longo do expediente profissional e compromete geral bem – estar emocional em sala de reuniões ou escritórios. Por isso, Paty Palhares defende veementemente que benefícios corporativos devem incorporar um foco maior na saúde financeira dos colaboradores, fugindo do tratamento isolado por dimensões individuais como apenas “saúde mental”.

O desafio estrutural: nem RH está imune Alerta sobre o público responsável pelo Bem – EstarUm segundo achado alarmante é a constatação feita entre os profissionais responsáveis pela gestão das políticas internas. A pesquisa foi aplicada justamente no grupo composto pelos próprios especialistas em Recursos Humanos e pelas lideranças empresariais Apesar de serem quem desenha as estratégias para promover bem – estar nas empresas — um tema que estudam diariamente —, nenhuma dessas onze dimensões avaliadas atingiu, por parte deles mesmos, uma faixa considerada saudável. Para Paty Palhares, este dado revela algo mais profundo do estudo: trata – se de problema estrutural da sociedade brasileira, não apenas individual ou pessoal Bem – Estar exige estratégia contínuaDa obrigatoriedade legal ao plano integral

O levantamento ocorre em momento crucial devido à mudança regulatória na área. Desde maio de 2026, a atualização das normas NR-1 passou a exigir que as empresas identifiquem e gerenciem os riscos psicossociais no ambiente laboral.

“Cuidar da saúde mental deixou de ser um diferencial para se tornar uma exigência por lei”, explica o cenário atual. Apesar do avanço trazido pela norma — motivada pelo fato de mais de 472 mil brasileiros terem feito afastamentos ligados transtornos mentais somente em2024— Paty Palhares alerta.

Ela ressalta ainda haver grande distância entre aquilo que é falado nos discursos corporativos sobre bem – estar, na prática diária dos trabalhadores.”

Liderança como pilar fundamental.“O tema precisa ser tratado não apenas como uma ação pontual ou um evento no calendário”, enfatiza a executiva. É necessário implementar planos de gestão contínuos e estruturais para mudar culturalmente o ambiente da empresa em todas as dimensões do colaborador.

Por fim, Paty Palhares conclui apontando que nenhum plano funciona sem total envolvimento das lideranças. O cuidado deve vir diretamente deles porque “quando o líder não está presente na prática com exemplo… quem está abaixo simplesmente não se conecta.”

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