Ebola: Crise Devastadora no Congo e Uganda Sem Vacinas e com Mortes Confirmadas

Surto de Ebola na República Democrática do Congo e Uganda: Uma Crise Amplificada por Cortes e Retardos
Desde o início do século XXI, surtos de Ebola têm sido frequentes na África, com o ano de 2000 marcando o início de uma tendência preocupante. Embora surtos tenham ocorrido em diversas regiões, a África Ocidental, particularmente a República Democrática do Congo, tem sido palco de alguns dos mais devastadores, como o surto de 2014-2016, que causou mais de 11 mil mortes, associado à cepa Zaire.
No entanto, o surto atual, em 2026, apresenta características distintas, com a disseminação da variante Bundibugyo, identificada pela primeira vez em Uganda em 2007, e sem a disponibilidade de vacinas ou medicamentos específicos.
A situação é alarmante, com uma taxa de mortalidade elevada, estimada em cerca de um em cada três infectados. Até a segunda-feira, 25 de maio de 2026, a Organização Mundial da Saúde (OMS) havia identificado aproximadamente 900 casos suspeitos, número que, segundo autoridades congolesas, ultrapassa os 200 mortes confirmadas.
Leia também
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, expressou sua profunda preocupação com a magnitude e a velocidade da epidemia, destacando a necessidade de ampliar a vigilância, o rastreamento de contatos e os testes laboratoriais para conter o avanço do vírus.
A ocorrência do surto coincide com um momento crítico para as organizações humanitárias, que enfrentam cortes drásticos em seus orçamentos, em grande parte devido às políticas do governo Trump. A redução da ajuda humanitária dos EUA, implementada em seus primeiros dias no cargo, impactou diretamente a capacidade de resposta internacional.
Especialistas em saúde alertam que a identificação precoce do surto poderia ter sido possível com o financiamento adequado, questionando a estratégia do governo.
Cortes e Impacto na Resposta
O Comitê Internacional de Resgate, uma organização humanitária sediada nos EUA, relatou que os cortes de financiamento impediram a realização de atividades preventivas na província de Ituri, deixando a região vulnerável. Heather Reoch Kerr, diretora do grupo no país, enfatizou que o aumento repentino nos casos é resultado da transmissão que provavelmente já ocorria silenciosamente, e que os sistemas de detecção estão apenas agora alcançando o ritmo dessa transmissão.
A situação é agravada pela falta de recursos e pela complexidade logística das operações de resposta.
Previsões e Desafios
Epidemiologista americano, Eric Feigl-Ding, avaliou que os casos confirmados representam apenas a ponta do iceberg, e que a propagação do vírus é mais rápida do que no surto de 2014 na África Ocidental. Ele ressaltou que o vírus já causou a morte de profissionais de saúde e se espalhou por diversas regiões, mesmo com pouca testagem, indicando um surto maior do que o inicialmente percebido.
A urgência da situação exige medidas rápidas e eficazes para evitar um descontrole.
A Importância da Cooperação Internacional e da Vigilância
A transmissão do Ebola é limitada pelo contato direto com fluidos corporais infectados, o que contrasta com a disseminação do COVID-19. A variante Bundibugyo, se contida com medidas como quarentena, testagem e rastreamento de contatos, poderia ser controlada.
No entanto, a falta de vacina e medicamentos específicos, combinada com a redução de recursos e a instabilidade política, aumentam a complexidade da resposta. O especialista Matthew Kavanagh, da Universidade de Georgetown, enfatizou que os cortes de financiamento enfraqueceram os sistemas concebidos para detectar surtos precocemente.
A USAid, agência de desenvolvimento americana, tornou-se um símbolo dos cortes implementados por Trump após seu retorno à Casa Branca. A suspensão temporária de repasses e a revisão do uso dos recursos impactaram a capacidade de resposta. Paralelamente, países europeus, incluindo a Alemanha, também reduziram suas contribuições para a cooperação internacional.
O bilionário, à frente do chamado Departamento de Eficiência Governamental (Doge), foi responsável por parte dessas medidas.
Reação do Governo e Perspectivas Futuras
O governo Trump rejeita as acusações de que os cortes na ajuda externa dos EUA teriam impactado a resposta ao Ebola. O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, anunciou que o governo vai financiar até 50 clínicas de tratamento na República Democrática do Congo e em Uganda.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, criticou a OMS ao afirmar que ela “demorou um pouco para identificar” o surto. A OMS respondeu que a crítica mostra “uma falta de compreensão” sobre como funcionam os regulamentos internacionais de saúde e as responsabilidades da organização.
A diretora da ONG Ação contra a Fome na República Democrática do Congo, Julie Drouet, ressaltou que a variante Bundibugyo é mais rara e inicialmente não foi detectada nos testes, e que os primeiros casos ocorreram em regiões remotas, longe de centros de saúde.
Isso permitiu que o vírus se espalhasse por mais tempo sem ser identificado. A situação é agravada pela instabilidade no leste do Congo, especialmente nas províncias de Kivu do Norte, Kivu do Sul e Ituri, onde grupos armados atuam e deslocamentos de população dificultam o controle da doença e o trabalho de ajuda humanitária.
Apesar disso, equipes médicas seguem atuando intensamente na área, criando pontes aéreas humanitárias para levar ajuda. Casos já foram registrados na cidade de Goma, no leste da República Democrática do Congo, e também na capital de Uganda, Kampala, ambas com alta densidade populacional, o que aumenta o risco de disseminação rápida.
A OMS já liberou uma primeira ajuda de 3,9 milhões de dólares para apoiar os sistemas locais de saúde. Especialistas pedem que governos de todo o mundo ampliem esse financiamento para conter o surto antes que ele se agrave ainda mais.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
Aqui no ZéNewsAi, nossas notícias são escritas pelo José News! 🤖💖 Nós nos esforçamos para trazer informações legais e confiáveis, mas sempre vale a pena dar uma conferida em outras fontes também, tá? Obrigado por visitar a gente, você é 10/10! 😊 Com carinho, equipe ZéNewsAi 📰 (P.S.: Se encontrar algo estranho, pode nos avisar! Adoramos feedbacks fofinhos! 💌)


