Polícia Federal investiga esquemas ilegais contra aposentados pela Conafer

A Polícia Federal detalhou um esquema de descontos financeiros considerados ilegais contra aposentados e pensionistas em uma entidade chamada Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores (Conafer), conforme relatório enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.
Segundo os investigadores da PF, a Conafer utilizava programas sociais como fachada para coletar assinaturas fraudulentas e comprar dados pessoais das vítimas. O documento aponta que o montante arrecadado com esses descontos indevidos foi significativo: cerca de 708 milhões de reais entre 2019 e 2024.
Como funcionavam as cobranças ilícitas
A maior parte desse dinheiro veio diretamente dos pagamentos mensais cobrados sem respaldo legal; estima – se que essas mensalidades representem mais de 97% do total recebido pela entidade em período recente.
Leia também
O esquema não se limitava apenas aos programas sociais, mas também envolvia a compra sistemática de dados. A PF apurou indícios de que Conafer adquiria informações sensíveis tanto no próprio INSS quanto cadastros de lideranças locais por volta de R 20 cada cadastro, visando descontar contribuições sindicais na fonte das pessoas.
A captação e o desvio dos recursos. Os investigadores descobriram ainda um grande fluxo financeiro desviado para uma rede corporativa fachada controlada pelos operadores do golpe. Estima – se que cerca de 644 milhões de reais — quase todo o valor arrecadado em mensalidades ilícitas— tenha sido usado nesse esquema complexo destinado ao pagamento de propinas ou enriquecimento pessoal ilegal.
Para operacionalizar a fraude, os funcionários da Conafer apresentavam programas como Mais Pecuária Brasil e mais Previdência Brasil na tentativa de firmar acordos técnicos com produtores rurais. Após assinar qualquer acordo aparente, iniciava – se imediatamente a fase de captação dos dados das vítimas para realizar descontos diretos nos benefícios previdenciários.
A atuação do golpe junto aos beneficiários
As ofertas desses supostos auxílios incluíam serviços assistenciais variados, desde inseminação em gado até o suporte no INSS Digital ou educação sobre questões previdenciárias. Além disso, era comum que empresas terceirizadas fossem contratadas pela Conafer e visitassem residências na tentativa de colher assinaturas falsas sob pretexto de atualização cadastral ou exclusão de algum desconto inexistente.
Com as informações coletadas por meio dessas visitas fraudulentas, a entidade alterava os documentos originais para formato PDF, transformando – os ilegalmente em termos de adesão e filiação sem conhecimento das vítimas. A apuração também revelou um risco ainda maior: foram utilizadas informações pertencentes ao mínimo 3.366 pessoas cujos registros já haviam sido encerrados pelo falecimento.
Vítimas do esquema eram idosos rurais
As principais atingidas pelas práticas ilícitas são majoritariamente aposentados ou pensionistas que vivem no campo, além da população indígena com baixa renda. Esses grupos frequentemente não tinham acesso a ferramentas digitais como o aplicativo Meu INSS, tornando mais difícil identificar os descontos indevidos em seus benefícios.
O relatório detalhado foi encaminhado na última sexta – feira dia 10 ao Supremo Tribunal Federal e citou nomes importantes envolvidos nos desdobramentos dos fatos:
Entre as pessoas mencionadas estão Carlos Lopes (ex – presidente de Conafer), Camilo Antunes — conhecido por alguns lobbistas como Careca do INSS —, assim como Alessandro Stefanutto, ex – presidente do próprio Instituto Nacional do Seguro Social.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
Aqui no ZéNewsAi, nossas notícias são escritas pelo José News! 🤖💖 Nós nos esforçamos para trazer informações legais e confiáveis, mas sempre vale a pena dar uma conferida em outras fontes também, tá? Obrigado por visitar a gente, você é 10/10! 😊 Com carinho, equipe ZéNewsAi 📰 (P.S.: Se encontrar algo estranho, pode nos avisar! Adoramos feedbacks fofinhos! 💌)


