Eli Lilly Investe US3,8 Bilhões em Terapia Psicodélica com Aquisição da Atai Beckley

Eli Lilly investe em terapia psicodélica com aquisição inovadora para tratar depressões resistentes.

16/07/2026 15:43

4 min

Eli Lilly
Eli Lilly

A gigante farmacêutica Eli Lilly (LLY) anunciou planos ambiciosos para expandir seu foco além dos tratamentos contra obesidade e diabetes: ela está investindo pesadamente no desenvolvimento terapêutico psicodélico.

Em uma operação que pode chegar aos US 3,8 bilhões, a empresa adquire toda biofarmacêutica Atai Beckley (ATAI), reforçando sua estratégia em neurociência mental após o anúncio feito nesta quinta – feira, dia 16.

Foco na saúde mental com aquisição da Atai Beckley

O acordo de compra prevê um pagamento inicial totalizando US 2,8 bilhões. Além disso, haverá até mais US 1 bilhão destinado a pagamentos condicionais ao cumprimento específico de metas estabelecidas entre as partes.

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A Lilly também se comprometeu a pagar aos acionistas da empresa adquirida os valores equivalentes a US 6,75 por ação da Atai Beckley em cada titularidade. Este valor representa o que analistas consideram ser um prêmio significativo: cerca de 26% acima do preço fechado dos papéis na quarta – feira (dia 16), quando custavam US 5,36 unidades monetárias.

O principal ativo e seu potencial terapêutico

Com esta aquisição, Eli Lilly passa integralmente pelo controle do BPL-003, considerado o mais importante produto desenvolvido pela Atai Beckley. Trata – se de um spray nasal baseado num composto psicodélico sintético voltado especificamente para tratar a depressão resistente ao tratamento clínico convencional.

A condição é definida como aquela em que os pacientes não conseguem responder às terapias já estabelecidas no mercado farmacológico tradicional. O medicamento está avançando nas fases clínicas; portanto, espera – se ter acesso aos primeiros resultados dos estudos finais por volta do início de 2029.

Contexto da biofarmacêutica e setor

Vale lembrar que a própria Atai Beckley foi formada recentemente — ela opera desde o ano de 2025 —, resultado direto da fusão entre duas empresas: a alemã Atai Life Sciences e a Beckley Psytech. Essa companhia se dedica ao desenvolvimento experimental rápido de medicamentos psicodélicos com foco principal na depressão resistente à terapia.

Essa movimentação coloca Eli Lilly diretamente em uma corrida intensa observada pelas grandes farmacêuticas, todas buscando desenvolver terapias baseadas nesse tipo de composto químico para tratar diversas doenças psiquiátricas. O interesse por alternativas não tradicionais é impulsionado também pela mudança regulatória nos Estados Unidos; inclusive o presidente Donald Trump assinou ordem executiva em abril determinando que os órgãos responsáveis acelerem análises e aumentem financiamento federal nessa área específica do setor.

Reações financeiras sobre a compra

“A aquisição está alinhada com um portfólio crescente da neurociência na própria Eli Lilly. Além disso, oferece potencial enorme de crescimento no mercado vasto como o tratamento da depressão”, afirmou Emily Field, analista especializada pelo Barclays durante uma entrevista à Reuters.

O otimismo se refletiu imediatamente nas bolsas: por volta das 15h desta quinta – feira (dia não especificado), as ações da Atai Beckley dispararam em impressionantes 32,84%, sendo negociadas naquele momento a US 7,120.

As próprias acções da fabricante do Mounjaro também registraram um desempenho positivo menor; subiram cerca de 1,30%. Segundo Andrew Tsai, consultor na Jefferies, o BPL-003 tem potencial para gerar entre US 1 bilhão e até US 2 bilhões anualmente caso os ensaios clínicos finais sejam bem sucedidos.

O mercado geral das terapias psicodélicas é visto como promissor: Trung Huynh, analista pelo RBC Capital Markets, estima que essa indústria possa movimentar quase US 12 bilhões somente em vendas totais até 2034.

Próximos passos da Eli Lilly

A expectativa por parte de Eli Lilly é concluir formalmente a aquisição durante o terceiro trimestre deste ano. Essa compra não representa um evento isolado para a farmacêutica; ela faz parte de uma série recente e robusta de movimentos estratégicos realizados pela companhia. No final do mês passado (maio), os executivos concordaram com a absorção de três desenvolvedoras distintas de vacinas, transações avaliadas combinadamente na faixa dos quase US 4 bilhões em valor total. Segundo informações divulgadas pelo Dow Jones, essa última movimentação marcou mais uma ofensiva da empresa no campo preventivo das doenças infecciosas.

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