Empresários do Food Service em Chicago Alertam: Nova PEC Ameaça Setor!

Nova PEC sobre Jornada de Trabalho Debaixa o Setor de Alimentação em Chicago
Chicago, EUA – Durante a maior feira de food service do mundo, realizada na última semana, um dos temas mais discutidos entre empresários brasileiros não foi a última tendência em cardápios ou tecnologias de cozinha. A principal conversa girava em torno de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que está sendo analisada no Congresso Nacional.
O fim da escala de trabalho 6×1 se tornou o foco central das discussões, com a redução para 40 horas semanais sendo vista como uma realidade iminente. A questão da flexibilidade nas horas de trabalho é agora o ponto central da análise.
Um exemplo prático ilustra a situação: uma pizzaria trabalha à noite, um restaurante por quilo concentra a maior parte do movimento no almoço e uma casa de chá opera com horários reduzidos, de seis horas diárias. A obrigatoriedade de seguir uma grade de trabalho fixa de oito horas diárias, segundo o setor, ignora a realidade do food service.
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Essa é a posição oficial da Associação Nacional de Restaurantes (ANR), que apresentou uma proposta clara ao Congresso, buscando aceitar as 40 horas, mas rejeitando o engessamento de oito horas fixas por dia.
Flexibilidade e a Proposta da ANR
A proposta da ANR prevê que, a partir da 41ª hora semanal, a remuneração seja paga como hora extra, sem alteração nessa regra. O objetivo é reduzir o número total de horas trabalhadas, mas permitir maior liberdade na distribuição dessas horas.
Fernando de Paula, conselheiro e ex-presidente da ANR, explica: “Você pode ter mais horas durante um dia, ou pode fazer diferentes pedaços do dia, onde as pessoas encaixam outras atividades, como ficar com os filhos, estudar ou cuidar de alguém”. Essa flexibilidade, segundo ele, se alinha com o desejo das empresas e das pessoas.
Reação do Mercado e Desafios
A proposta já foi entregue ao relator da PEC na Câmara, deputado Leo Prates, e apresentada ao Ministério do Trabalho. De Paula relata que a recepção foi positiva. No entanto, no dia a dia, a mudança já começou a se manifestar. O Grupo Trigo, com mais de 700 unidades e R$ 2,4 bilhões em faturamento, já viu alguns de seus franqueados migrarem para a escala 5×2 por conta própria.
A BFFC, holding do Bob’s, adota uma postura mais cautelosa, reconhecendo que alguns franqueados testam outros modelos, mas avalia que o fim da escala 6×1 representa uma perda de produtividade em um mercado que já enfrenta dificuldades para contratar e reter profissionais.
Escassez de Mão de Obra e a “Uberização” do Trabalho
Outros empresários do setor já contratam funcionários por diária via aplicativos, refletindo uma tendência de “uberização” do trabalho, com jornadas mais flexíveis. A equação mais citada aponta para um aumento de 10% a 20% na necessidade de pessoal com a redução das horas trabalhadas.
Essa situação ocorre em um momento em que o mercado de trabalho brasileiro está em seu melhor nível em mais de uma década, com um aumento no número de empregados. No entanto, essa maior oferta de mão de obra não se traduz em mais vagas disponíveis, devido à falta de profissionais qualificados.
Impacto no Varejo e Desafios da Remuneração
O problema se agrava no varejo alimentar, onde a APAS fala abertamente sobre um “apagão de mão de obra”. A ABRAS contabiliza mais de 357 mil postos de trabalho abertos apenas no setor supermercadista. Com baixo desemprego e falta de mão de obra, as empresas têm dificuldade para preencher vagas.
Simone Galante, fundadora da Galunion, consultoria especializada em food service, enfatiza a necessidade de um diagnóstico cirúrgico de cada operação, mapeando picos de demanda, rentabilidade por faixa horária e complexidade de cada turno. “O setor precisa tratar esse tema com menos polarização e mais capacidade de redesenho”, afirma.
Conclusão
A tramitação da PEC na Câmara dos Deputados está prevista para quarta-feira, 27, com a votação na comissão especial. O texto estabelece dois dias de descanso semanal, sendo um deles preferencialmente aos domingos, e reduz a jornada máxima para 40 horas semanais.
A mudança promete impactar tanto donos de restaurantes quanto funcionários, com a flexibilidade sendo um fator crucial para a adaptação de cada operação.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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