A sobrevivência na natureza muitas vezes depende da habilidade de escapar de predadores. Animais como insetos desenvolveram diversas táticas para se defenderem, desde a camuflagem perfeita até o uso de cores vibrantes que alertam sobre perigo ou toxicidade – um fenômeno conhecido como aposematismo.
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Apesar de amplamente estudado, ainda há muitas dúvidas sobre como o ambiente e a influência humana afetam a eficácia dessas estratégias.
Um estudo abrangente, publicado na renomada revista Science, investigou como fatores ecológicos, incluindo a luminosidade, a intensidade da predação e a localização geográfica, influenciam o sucesso dessas estratégias de defesa. A pesquisa utilizou um experimento global, com resultados surpreendentes.
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Para simular situações de ataque reais, os cientistas empregaram presas artificiais de papel, modeladas como mariposas. Mais de 15 mil dessas “mariposas” foram distribuídas em 21 locais distintos, espalhados por seis continentes. As presas foram categorizadas em três padrões: camufladas, aposemáticas (com cores de advertência) e com cores atípicas, servindo como controle.
O monitoramento registrou 3.247 ataques – cerca de 21,6% do total – revelando uma conclusão fundamental: não existe uma estratégia anti-predatória que seja superior em todos os contextos. A eficácia depende, portanto, do ambiente específico.
Em ambientes com baixa predação, a coloração de advertência se mostrou mais eficaz. Já a camuflagem se destacou em locais com pouca luz e quando o animal era um dos poucos camuflados no ambiente. O estudo demonstrou que a camuflagem e o aposematismo são estratégias adaptativas que evoluíram em resposta às pressões seletivas impostas pelos predadores.
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Os pesquisadores também alertaram para os efeitos da ação humana. A remoção de árvores e a conversão de áreas naturais em regiões agrícolas aumentam a entrada de luz e alteram o equilíbrio ecológico. “Impactos ambientais não atingem só a biodiversidade no quesito de presença da espécie ou não.
Eles atingem também a biodiversidade num cenário de estratégias gerais”, conclui o pesquisador.
