Gabriel Galípolo relembra orientação de Lula sobre autonomia técnica do BC em 2024. Saiba como foi o encontro no Planalto!
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, declarou nesta quarta-feira, 8, em depoimento prestado no Senado, que o presidente Lula (PT) orientou que a atuação da autoridade monetária fosse estritamente técnica. Isso ocorreu durante uma reunião realizada no Palácio do Planalto em dezembro de 2024, com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo Galípolo, ele foi convocado para o encontro pelo chefe de gabinete da Presidência. Ao chegar, encontrou uma reunião já em andamento, na qual Vorcaro expunha sua perspectiva sobre as dificuldades enfrentadas pela instituição bancária.
Galípolo mencionou que os acionistas do Master costumavam apresentar uma narrativa de perseguição por parte do mercado financeiro. O presidente do BC ressaltou que essa história não correspondia à realidade do setor, afirmando que “o banco não era um banco que tenha tamanho para isso”.
Galípolo detalhou que a resposta de Lula durante o encontro foi clara ao afastar qualquer tipo de interferência política no caso. Ele enfatizou que o tema não era de competência da Presidência da República, mas sim do Banco Central.
O mandatário relembrou ainda a orientação recebida do petista ao longo do processo, que foi de total autonomia técnica. “Seja técnico, mais técnico, você tem toda autonomia nesse processo para investigar, seja quem for. Não proteja ninguém, não persiga ninguém”, citou Galípolo.
O encontro, que não estava na agenda oficial do presidente, contou com a presença de ministros e outras autoridades. Além de Galípolo, o próprio Vorcaro foi quem mais falou, defendendo que seu banco estaria sendo prejudicado por concorrentes no sistema financeiro.
A reunião ganhou destaque após a Polícia Federal obter e indicar que o banqueiro considerou o encontro como “ótimo” e “muito forte”. Esse material foi encaminhado ao Congresso no contexto de investigações sobre o caso.
Em fevereiro deste ano, Lula confirmou ter recebido Vorcaro no Planalto, explicando que encontros com empresários fazem parte da rotina institucional do cargo. Naquela ocasião, o presidente declarou que não haveria posição política pró ou contra o Banco Master, e que o tratamento deveria ser técnico pelo Banco Central.
O depoimento reforça o entendimento de que a condução do caso do Master deveria se pautar exclusivamente por critérios técnicos, mantendo a independência das decisões do Banco Central, conforme orientação recebida pelo presidente Lula em 2024.
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