Governo Facilita Renegociação de Dívidas de MEI em 145 Meses

Governo Facilita Renegociação de Dívidas de MEI com parcelamentos de até 145 meses, impulsionando a recuperação financeira de milhares de microempresários

24/06/2026 09:18

3 min

MEI: O valor é recolhido por meio do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS), que reúne a contribuição previdenciária e os tributos devidos conforme a atividade do MEI.
MEI: O valor é recolhido por meio do Documento de Arrecadação do...

Milhões de microempreendedores individuais (MEIs) poderão acessar uma nova oportunidade de regularizar pendências financeiras com a Receita Federal do Brasil. Em entrevista concedida ao Globo, o ministro do Empreendedorismo, Paulo Pereira, confirmou que o governo está desenvolvendo um programa de renegociação tributária.

Esta iniciativa visa permitir que os empreendedores parcelem débitos em um prazo estendido, chegando a 145 meses, o que equivale a pouco mais de doze anos.

A medida é projetada para funcionar como um tipo de Refis específico para o setor de microempreendedores. Ela deve beneficiar aqueles que acumularam atrasos no pagamento do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) ou que perderam o enquadramento no regime simplificado devido à inadimplência.

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Segundo o ministro, estima-se que entre três e quatro milhões de microempreendedores poderão se beneficiar com este novo mecanismo.

Detalhes do Programa de Renegociação de Débitos MEI

De acordo com o ministro Pereira, o governo está trabalhando em um modelo de transação tributária focado em dívidas que não ultrapassem R$ 20 mil. A proposta central envolve a concessão de descontos significativos, que podem atingir até 70% do valor total, embora o valor principal da dívida seja mantido como referência.

O parcelamento oferecido pode ser realizado em até 145 meses, com o pagamento mensal mínimo estabelecido em R$ 25. Este é um avanço considerável em comparação com as condições atuais, onde os parcelamentos disponíveis para MEIs geralmente possuem um prazo máximo de dois anos e uma parcela mínima de R$ 50.

Para os casos de débitos mais antigos, inscritos há mais de um ano, a equipe econômica avalia uma modalidade alternativa. Essa opção prevê um desconto linear de 50% e um prazo de parcelamento que pode chegar a 60 meses. O principal objetivo desta reforma é garantir que os empreendedores que se encontram em situação irregular consigam retomar o acesso aos benefícios do regime tributário simplificado.

Pacote de Reformas e Estímulos para o Pequeno Negócio

O programa de renegociação faz parte de um conjunto mais amplo de ações que o governo planeja apresentar em apoio aos micro e pequenos negócios. Entre essas propostas, destaca-se o aumento do limite de faturamento anual. O teto será elevado para R$ 110 mil no ano de 2027 e, posteriormente, para R$ 140 mil em 2028.

Segundo o ministro Pereira, essa alteração no limite de receita terá um impacto financeiro estimado de R$ 4 bilhões ao longo de dois anos, sendo R$ 2 bilhões projetados para 2027 e mais R$ 2 bilhões para 2028. Pereira enfatizou que o aumento do limite de faturamento não será acompanhado por nenhuma medida compensatória de arrecadação, afirmando que o governo não irá criar uma fonte alternativa de receita.

Além disso, o ministro sinalizou a intenção de promover discussões mais abrangentes sobre a revisão do Simples Nacional nos próximos anos. Ele apontou que o modelo vigente gera distorções ao aplicar alíquotas idênticas a empresas com estruturas de custos operacionais muito distintas.

Como ilustração, ele citou a disparidade entre pequenas indústrias, que possuem despesas significativas com insumos, energia e funcionários, e profissionais liberais que, mesmo faturando valores semelhantes, operam com custos muito menores. Essa discussão será desenvolvida em paralelo à adaptação do Simples Nacional às regras da legislação federal.

Outra iniciativa em estudo é a expansão de um programa de bolsas de formação voltado para jovens empreendedores. O governo está avaliando expandir a iniciativa para aproximadamente dez mil estudantes, com um impacto financeiro previsto de R$ 50 milhões.

Essa proposta visa fomentar a criação de novos empreendimentos sem, contudo, substituir o processo de formação universitária tradicional.

Todas essas medidas demonstram um esforço governamental para dar suporte financeiro e estrutural ao ecossistema de pequenos negócios brasileiros.

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