Irã intensifica pressão por tecnologia nuclear; Ásia busca alternativa ao petróleo

Irã intensifica busca por tecnologia nuclear para garantir segurança energética diante da crise global.

17/07/2026 10:05

4 min

Energia nuclear: China lidera novos projetos enquanto EUA mantêm maior capacidade em operação.
Energia nuclear: China lidera novos projetos enquanto EUA mantêm...

O conflito no Irã gerou uma grave crise energética ao ameaçar o Estreito de Ormuz, um dos mais importantes corredores marítimos globais por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial.

Com a maior parte desse volume — acima de 80% — destinada à Ásia, esse choque energético está forçando os países da região e especialistas em energia a buscar alternativas que diminuam sua dependência direta das condições políticas deste estreito vital.

Segundo estudo realizado pelo think tank Centre for International and Strategic Studies (CSIS), essa pressão tem impulsionado grande interesse pela tecnologia nuclear como pilar estratégico para segurança nacional nessas nações vulneráveis.

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A crise energética força busca alternativa ao Estreito

O transporte marítimo é fundamentalmente ligado às economias do Japão, Coreia do Sul e Taiwan; esses três territórios são extremamente sensíveis à interrupção de qualquer fornecimento energético via mar. A redução da oferta global de GNL combinada com a disparada dos preços desde março elevou drasticamente os custos gerais de geração em toda Ásia.

Os valores indicam que o preço das energias nessa região permaneceram entre 50% e 100% acima daqueles registrados no mês anterior (fevereiro de 2026), pressionando governos locais e grandes empresas operacionais por todo lado. Além disso, não apenas combustíveis fósseis tiveram seus prêmios elevados; houve um aumento nos custeios do transporte marítimo geral devido à alta dos seguros para navegação internacional.

Japão reforça a energia atômica após crise

O Japão foi particularmente afetado pela memória histórica da catástrofe nuclear em Fukushima. Contudo, o conflito envolvendo Irã reacendeu debates sobre fontes alternativas no país. A primeira – ministra Sanae Takaichi determinou que o Ministério da Economia elaborasse até agosto de 2026 um pacote completo com medidas destinadas aumentar drasticamente a resiliência energética nacional e incorporar as lições aprendidas na situação do Estreito de Ormuz.

Apesar das preocupações persistentes quanto à segurança operacional dos reatores — como ocorreu durante os acidentes históricos —, há uma crescente aceitação pública para essa fonte alternativa devido ao aumento nos custos energéticos globais e à urgência em reduzir emissões de carbono, aponta o CSIS.

O Sétimo Plano Estratégico de Energia estabelecido pelo Japão ainda em fevereiro de 2025 passou a defender intensivamente esse uso. O governo traçou meta ambiciosa: que energia nuclear forneça até 20% da eletricidade do país no ano de 2040.

Coreia do Sul busca expansão; Taiwan reavalia fontes. Em Coreia do Sul, um cenário semelhante ao japonês é observado devido à forte dependência dos combustíveis fósseis importados e o crescimento esperado na demanda elétrica impulsionado pela indústria semicondutores. Em março deste ano (de referência), por exemplo, autoridades anunciaram a intenção clara de elevar os usos das usinas nucleares para atingir cerca de 80% em sua capacidade máxima operacional.

Essa estratégia está alinhada com o 11º Plano Básico de Oferta e Demanda de Eletricidade: ele prevê que energia nuclear alcance aproximadamente 32% da matriz até 2030 e subirá ainda mais nos níveis projetados para 35% no ciclo encerrando em 2038.

Já Taiwan apresenta um caso distinto; historicamente polarizada politicamente sobre tema atômico. Em maio de 2025, a ilha havia se tornado oficialmente livre dessa fonte após encerramento do último reator ativo por determinação política (DPP). No entanto, as necessidades crescentes com o avanço semicondutores estão forçando uma mudança na opinião pública.

Pesquisas realizadas desde março indicaram que agora mais dos 60% da população apoia novamente essa energia nuclear e permitiram mudanças legislativas aprovadas ainda no ano de 2025 para possível reativação em Maanshan.

O papel crescente das fontes atômicas

Em resumo, a crise energética desencadeada pelas tensões geopolíticas do Estreito de Ormuz fortaleceu inegavelmente os argumentos favoráveis à tecnologia nuclear nas estratégias energéticas tanto Japão quanto Coreia do Sul e Taiwan. Embora existam diferenças políticas marcantes entre esses três governos — como o caso taiwanês —, há um consenso emergente sobre tratar essa fonte não apenas pela segurança elétrica imediatamas também por sua capacidade estratégica de conciliar competitividade econômica com metas ambiciosas de redução global de emissões.

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