Liderança em crise: 50% dos brasileiros trocaria chefe! Estudo aponta liderança tóxica como principal motivo para pedir demissão. Descubra os desafios e estilos de liderança que impactam o seu trabalho
Sou CEO há duas décadas. Apesar de dedicar tempo à leitura de livros sobre liderança e de acompanhar estudos sobre gestão, sentia que a relação entre liderança e liderado era algo que eu não vivia na prática. Mas, há quatro anos, assumi um cargo voluntário em uma organização que reúne líderes de diversas nações.
Com isso, inesperadamente, voltei a ter um chefe, e essa experiência me proporcionou uma nova perspectiva sobre o tema.
Existem diversos estilos de liderança, como o cético, que questiona antes de decidir, o orientado a pessoas, que prioriza o bem-estar da equipe, os carismáticos, que motivam através da paixão, e os controladores, que centralizam decisões e exercem controle rígido.
Cada um tem seus pontos fortes e fracos. O líder carismático pode ser permissivo demais, enquanto o controlador sufoca a criatividade. Não existe uma fórmula mágica, o que realmente importa é o alinhamento entre o estilo de liderança e a cultura da organização.
Essa alinhamento é crucial, e a principal razão para a mudança de emprego ainda é o relacionamento com o chefe. Uma pesquisa da Catho revelou que 50% dos profissionais já deixaram o emprego por causa do líder. Um estudo do Pandapé, software de RH do Infojobs, indicou que 90% dos colaboradores estariam dispostos a trocar de emprego, com 24,46% citando liderança tóxica como motivo principal.
Nos últimos quatro anos, trabalhei com três tipos de chefes completamente diferentes, cada um com sua personalidade, nacionalidade e estilo de liderança. No primeiro ano, tive o prazer de trabalhar com um líder motivador e carismático, que acreditava no meu potencial e me incentivava a ir além.
No segundo ano, enfrentei uma chefe que confiava em mim até que eu me provasse, com acompanhamento transparente e claro, o que me motivou a me esforçar ainda mais. A situação mudou com a chegada do terceiro chefe, um controlador que queria saber de tudo antes, limitava minha liberdade e demonstrava pouco respeito pelo meu trabalho.
Apesar do meu compromisso com a organização, aguentei firme, admitindo que nem sempre foi fácil.
Acredito que a liderança tem a ver com a cultura de cada país, mas é muito mais pessoal. Não sou controladora, meu marido é detalhista, e não existe certo ou errado. Mas é fundamental que a liderança esteja alinhada à cultura da empresa, com coerência e sem forçar.
Se o executivo não se dá bem com a cultura, é melhor procurar outro ambiente, mesmo que seja um voluntariado.
O livro “Who: The A Method for Hiring”, de Geoff Smart e Randy Street, baseado em entrevistas com CEOs bilionários, mostra que a contratação certa vai além das competências técnicas: é encontrar quem se encaixe nos valores da organização. A história do Walmart ilustra isso: Lee Scott, CEO em 2000, precisou abrir portas para stakeholders externos, implementando metas de sustentabilidade e modernizando a cultura digital, consolidada por Doug McMillon.
O alinhamento cultural, investimento em pessoas e escuta ativa foram cruciais para o sucesso.
Ao final do meu mandato nessa organização global, posso afirmar que valeu a pena não desistir, me adaptei a trabalhar com diferentes tipos de lideranças e aprendi muito com elas. A liderança não é sobre estar certo, mas sobre estar presente. Os melhores líderes fazem as perguntas certas e criam espaço para a equipe brilhar. É essencial reconhecer como cada pessoa gosta de ser valorizada, pois todos querem se sentir vistos, ouvidos e respeitados.
A diversidade de perspectivas fortalece decisões, soluções criativas surgem quando respeitamos diferentes formas de pensar. A resiliência cultural é mais importante que adaptação superficial, é preciso manter a essência enquanto se flexibiliza na forma.
O legado importa tanto quanto resultados imediatos, quem constrói bases sólidas sempre vence no longo prazo. E com todos esses aprendizados, criei uma academia de líderes na minha empresa para ensinar colaboradores a comandar alinhados à cultura do Clara Resorts, valorizando iniciativa e liberdade, sem esquecer processos – e devo isso, particularmente, ao meu último chefe.
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