Médicos Sem Fronteiras alertam para riscos sanitários após terremotos na Venezuela

Uma semana após os terremotos que causaram mortes na Venezuela, o país enfrenta uma série de desafios complexos além do luto: há riscos iminentes de surtos sanitários e a necessidade urgente de dar abrigo à milhares de pessoas desalojadas.
“Em um cenário como este, toda infraestrutura fica prejudicada”, alertou Fábio Biolchini, coordenador de operações para América Latina e Caribe da Médicos Sem Fronteiras em conversa com *EXAME*. Ele enfatizou que sistemas vitais — água encanada, esgoto e saneamento básico — ficaram rompidos.
A rápida recuperação dessas redes é crucial devido ao risco elevado de doenças infecciosas na região.
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Risco biológico: o colapso das estruturas
Biolchini listou diversas ameaças sanitárias possíveis nesse contexto caótico, citando cólera, febre tifoide e difteria como exemplos graves. Segundo ele, a situação se agrava ainda mais pela decomposição dos corpos daqueles milhares de indivíduos não resgatados no tempo correto.
“Isso pode prejudicar diretamente as redes hídricas ou até mesmo os próprios hospitais que recebem esses restos”, explicou Biolchini sobre riscos adicionais à higiene hospitalar; sem condições adequadas, há perigo real para vidas em tratamento ativo.
A resposta humanitária: da busca ao acolhimento
O trabalho emergencial na Venezuela passou por uma mudança drástica após o impacto inicial do terremoto. Os primeiros dias foram focados nos esforços críticos dentro das primeiras setenta e duas horas — período vital dedicado a resgatar sobreviventes sob escombros de edifícios colapsados.
Atualmente, porém, os cuidados se voltaram aos milhares de desalojados que perderam suas casas ou apartamentos nas áreas urbanas como Caracas e cidades vizinhas. Estima – se um dano em cerca de mil e quinhentos edificações; essas pessoas estão vivendo improvisadamente em parques abertos ou campos temporários na rua.
“Esses indivíduos precisam não apenas de atendimento médico completo, mas também kits básicos de higiene”, detalhou Biolchini sobre as necessidades dos afetados diretamente pelo desastre, bem como das populações vulneráveis já existentes antes da catástrofe.
Vulnerabilidade prévia do sistema sanitário
A Médicos Sem Fronteiras (MSF) atua no país há mais tempo que a crise atual. Segundo o coordenador biolchini, os hospitais locais enfrentavam dificuldades operacionais por conta da grave situação econômica vivenciada pela Venezuela ao longo da última década, mesmo sem considerar o terremoto recente.
“O nosso papel foi importante desde o início: distribuímos kits cirúrgicos para cuidar de cerca de três mil e quinhentos pacientes”, afirmou Biolchini sobre as ações iniciais em meio aos escombros. Os profissionais estão trabalhando dia e noite sob condições extremamente difíceis; além dos ferimentos causados pelo sismo, eles lidam com uma pressão crescente devido à chegada massiva desses novos pacotes.
Desafios logísticos na ajuda internacional
A solidariedade global mobilizou equipes especializadas do mundo inteiro — um esforço crucial porque resgatar pessoas soterradas é uma técnica que exige treinamento específico.
No entanto, a coordenação desse auxílio não está isenta de problemas complexos para os especialistas da MSF: “É difícil coordenar todas essas informações em meio ao caos”, alertou o repórter. O cenário caótico faz com que vários serviços governamentais parem ou fiquem comprometidos; as rodovias e ruas sofrem congestionamentos constantes. Além disso, há interrupções frequentes nas telecomunicações na região afetada por Caracas.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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