Ministra acompanha enterro de Grenaldo Mesut após décadas sem resposta

O caixão com os restos mortais de Grenaldo de Jesus da Silva foi finalmente enterrado nesta manhã de sábado, 26, em um momento que emocionou presentes e ressaltou décadas de luta por memória.
Grenaldo Mesut gravou uma mensagem para o pai — “Descanse em paz!” —, cujas palavras foram colocadas sobre as flores dispostas no pequeno jazigo do Cemitério Dom Bosco, localizado na região de Perus, São Paulo. O sepultamento marcou a conclusão de buscas iniciadas há mais de cinco décadas pela família.
O retorno à dignidade após anos sem respostas
Os restos mortais permaneceram enterrados como indigente na vala clandestina e só puderam ser finalmente colocados numa lápide permanente hoje (sábado). Durante todo o cortejo pelo cemitério, os presentes entoaram “Pra Não Dizer que Não Falei das Flores”, canção clássica de Geraldo Vandré.
Leia também
A cerimônia foi um trabalho conjunto da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (Cemdp), ligada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC); também contou com a participação da Comissão de Familiares de Pessoas Mortas e Desaparecidas Políticas de São Paulo; Concessionária Cortel, responsável pela administração do local; e e Centro de Arqueologia e Antropologia Forense da Universidade Federal de São Paulo (Caaf Unifesp.
Homenagens que resgatam o passado
O filho de Grenaldo Mesut fez uma emocionante homenagem pública em nome do pai. “Para mim é uma felicidade muito grande… E essa felicidade possa também ser passada aos outros”, declarou ele ao lado dos familiares.
“Perder alguém que nunca as teve parece impossível de se explicar”, continuou a mensagem, lida pela filha dele durante os trabalhos funerários Hoje dou um lugar à memória e ao luto que ficou suspenso”. A despedida buscou garantir para seu pai “um descanso digno, honrado e justo”.
Justiça histórica: o compromisso com direitos humanos
A ministra Janine Mello do MDHC acompanhou todo o sepultamento. Ela enfatizou em entrevista coletiva sobre como este momento tem “profundo significado” não apenas localmente, mas também na história brasileira.
“Garantir direito à verdade, reparação e justiça é fundamental”, afirmou a ministro no dia de hoje — que coincide com o Dia Internacional de Apoio às Vítimas da Tortura —, reforçando o papel ativo do governo federal contra práticas violentas.
O Ministério dos Direitos Humanos continua investindo recursos nos trabalhos para identificar os mortos pela ditadura militar; um caminho longo exige muito esforço.”
Como foi descoberta a vala clandestina
A trajetória até este sepultamento começou há décadas. Grenaldo era militante na Marinha brasileira, preso em 1964 por reivindicar melhores condições no trabalho e vivendo depois anos sob vida clandestina.
“Ele morreu em 30 de maio de 1972 ao tentar capturar uma aeronave que estava sendo manobrada pelo Aeroporto de Congonhas”, explicam os relatos históricos. Inicialmente divulgado pela ditadura como suicídio — versão rejeitada pelos movimentos familiares —, o caso acabou entrando entre as vítimas da repressão estatal.”
A longa busca pelas ossadas
O primeiro avanço veio quando, na década de novecentos (anos noventa), jornalista Caco Barcellos investigava homicídios e notou um detalhe nos laudos periciais do IML: a letra “T” escrita com lápis vermelho. Ele descobriu que essa marcação se referia à classificação “terrorista”.
“Foram encontradas 1.049 ossadas sem identificação“, relata o histórico da descoberta em Perus. Após convênios iniciais entre prefeitura local e universidades como UnicampUFMG — trabalho interrompido pouco tempo depois —, as ossadas foram levadas para outras instituições, passando por questionamentos de Ministério Público Federal desde *2009*.
A retomada do projeto
Somente mais recentemente houve a chance de retomar os trabalhos: um acordo firmado pelo MDHC no ano de 2024 permitiu financiar uma equipe pericial. A ministra Macaé Evaristo já havia reconhecido publicamente em março passado que o Estado brasileiro falhou na guarda e identificação dos restos mortais da Vala Clandestina. Atualmente foram confirmados seis indivíduos, incluindo Grenaldo de Jesus Silva (em 2025), sendo este sepultamento considerado por muitos como “um momento de valor imensurável” para todas as famílias vítimas.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
Aqui no ZéNewsAi, nossas notícias são escritas pelo José News! 🤖💖 Nós nos esforçamos para trazer informações legais e confiáveis, mas sempre vale a pena dar uma conferida em outras fontes também, tá? Obrigado por visitar a gente, você é 10/10! 😊 Com carinho, equipe ZéNewsAi 📰 (P.S.: Se encontrar algo estranho, pode nos avisar! Adoramos feedbacks fofinhos! 💌)


