Morgan Stanley Alerta: Ações Americanas Superestimadas em 2026

Um relatório emitido pelo braço de gestão de ativos da Morgan Stanley aponta um sinal de alerta para o mercado de ações americano, indicando que uma parcela substancial do valor atual das empresas listadas não reflete os lucros já consolidados, mas sim o otimismo sobre retornos futuros.
A análise, que estuda o índice S&P 500 desde 1961, sugere que o preço das ações está sendo impulsionado por expectativas de crescimento que atingiram níveis historicamente elevados, um cenário que exige cautela dos investidores.
O Conceito de Valor Presente das Oportunidades de Crescimento (PVGO)
O estudo, conduzido pelos analistas Michael J. Mauboussin e Dan Callahan, utiliza o conceito de PVGO, que significa “valor presente das oportunidades de crescimento”. Essa métrica, desenvolvida pelo economista financeiro Stewart Myers, permite dividir o preço de uma ação em duas componentes distintas: o valor de “estado estável” e o PVGO.
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O valor de estado estável pressupõe que os lucros da empresa permanecerão constantes ao longo do tempo, enquanto o PVGO representa o prêmio de preço justificado apenas se a companhia conseguir expandir e gerar valor além do que já é entregue anualmente.
Historicamente, o PVGO representou, em média, 35% do preço total das ações no S&P 500, sendo os 65% restantes atribuídos ao lucro já comprovado. Contudo, o levantamento aponta que, até o final de 2025, esse percentual estava significativamente acima da média histórica, atingindo patamares observados em períodos de euforia de mercado, como em 1999 e 2001.
A Discrepância entre Lucro Atual e Expectativa de Crescimento
A análise financeira revela uma grande diferença entre o preço “justo” e o preço de negociação. Caso uma corporação não apresentasse mais crescimento, mantendo apenas o lucro atual ano após ano, seu valor seria calculado com base no lucro dividido pelo retorno mínimo exigido pelo investidor, estimado em 8,75% ao ano.
Essa projeção resulta em um múltiplo preço-lucro de apenas 11,4 vezes. No entanto, o S&P 500 está sendo negociado atualmente a 21,9 vezes o lucro estimado para 2026, um valor quase o dobro do múltiplo de estado estável.
Essa diferença expressiva entre os dois múltiplos é o que representa o tamanho da aposta do mercado no futuro das empresas. Além disso, o estudo identificou uma correlação negativa moderada entre o percentual de PVGO e os retornos totais dos dez anos seguintes: quanto maior a fatia do preço baseada em expectativa, menor tende a ser o retorno subsequente.
Para ilustrar essa relação, os dados históricos divididos em trimestres mostram que as ações cujos preços tinham menor participação de PVGO renderam um retorno anualizado de 11,6% em um período de dez anos. Em contraste, o período com maior PVGO registrou um retorno anualizado de apenas 7,6%.
Ao focar em empresas específicas, o relatório observou que a Apple, por exemplo, apresentou um perfil diferente. A Amazon, por sua vez, demonstrou um perfil mais estável. A Microsoft e a Alphabet também foram analisadas, mostrando como o histórico de cada empresa influencia a percepção de risco e crescimento.
Em resumo, o estudo alerta que, embora o crescimento seja fundamental, o mercado deve ponderar o nível de expectativa em relação ao desempenho histórico e à capacidade real de geração de caixa das empresas, para evitar superestimações de valor.
Autor(a):
Redação ZéNewsAi
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