Um estudo recente do Vigitel 2025, conduzido pelo Ministério da Saúde, revelou que mulheres brasileiras apresentam uma qualidade e duração do sono significativamente inferiores em comparação com os homens. A pesquisa, que analisou dados de 833.217 entrevistas com adultos de 18 anos ou mais, coletadas nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal, representou a primeira vez que indicadores específicos sobre sono foram incluídos em uma pesquisa abrangente dessa natureza.
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Os resultados mostraram uma maior frequência de sono insuficiente entre as mulheres, um problema que se associa a outros desafios relacionados ao descanso. A análise detalhada confirmou que as mulheres tendem a dormir menos e relatam maior incidência de insônia.
Os dados indicaram que 21,3% das mulheres dormem menos do que o recomendado, enquanto apenas 18,9% dos homens apresentavam a mesma situação. Essa diferença notável foi observada em 18 capitais e no Distrito Federal.
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Além da quantidade de horas dormidas, a pesquisa também destacou a prevalência de insônia. As mulheres apresentaram taxas mais elevadas de sintomas de insônia, com 36,2% relatando o problema, em comparação com 26,2% dos homens. Em nenhuma das capitais analisadas, o percentual masculino superou o feminino, evidenciando uma disparidade preocupante.
A médica Helena Hachul, ginecologista e especialista do Instituto do Sono, explica que, embora existam variações individuais, a recomendação geral para a maioria dos adultos seja de sete a oito horas de sono por noite. Dormir consistentemente menos do que essa quantidade pode levar a consequências negativas para o organismo.
Os efeitos da privação do sono incluem irritabilidade, dificuldades de concentração, problemas de memória e até mesmo prejuízos na tomada de decisões. A longo prazo, a falta de sono está associada a um risco aumentado de desenvolver hipertensão, doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade, queda da imunidade e maior suscetibilidade a infecções.
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Especialistas apontam que as diferenças no sono entre homens e mulheres são influenciadas por fatores hormonais e sociais. Essas diferenças se manifestam desde a adolescência e se intensificam ao longo da vida reprodutiva, devido às oscilações hormonais relacionadas ao ciclo menstrual, gravidez, pós-parto, perimenopausa e climatério.
Condições como cólica menstrual e síndrome dos ovários policísticos também podem afetar a qualidade do sono.
Para melhorar a qualidade do sono, os especialistas recomendam adotar hábitos saudáveis, como manter horários regulares para dormir e acordar, evitar o uso de telas e luz intensa à noite, fazer refeições leves no período noturno, reduzir o consumo de bebidas estimulantes e praticar atividade física regularmente.
Evitar olhar o relógio durante despertares noturnos também pode ajudar a regular o ritmo biológico.
