Omie: 2 Milhões de PMEs Expostas à Reforma Tributária

Omie: Reforma Tributária expõe 2 milhões de PMEs à necessidade urgente de adaptação financeira.

28/07/2026 14:42

4 min

Nos dividendos recebidos no exterior, a tributação segue algumas regras específicas.
Nos dividendos recebidos no exterior, a tributação segue algumas...

Um estudo recente da fintech Omie apontou quais setores econômicos brasileiros estão sob maior pressão devido à iminente transição pela Reforma Tributária e o novo modelo do IVA dual.

O levantamento revela uma alta exposição setorial entre grupos empresariais significativos: aqueles com cerca de 2 milhões de ativas que respondem por aproximadamente 14% do PIB nacional e sustentam uns dez milhões empregos formais

Setores mais expostos ao Novo Sistema tributário

A análise, chamada Radar Setorial da Reforma Tributária, avaliou a urgência em se adaptar para diversos segmentos. O estudo considerou dados financeiros coletados junto a mais de 37 mil pequenas e médias empresas (PMEs), identificando um total de 26 setores sob condição de elevada atenção.

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O índice mede o grau de preparação necessário — ou “prioridade de adaptação” —, mas Felipe Beraldi, gerente de Indicadores e Estudos Econômicos na Omie, esclarece que estar altamente exposto não significa necessariamente ser prejudicado pela reforma; ele alerta: “a reforma tributária pode ser ruim para ele [o setor] se ele não se movimentar”.

Como funciona essa alta exposição?

A metodologia utilizada combinou três fatores cruciais. Primeiro foi analisado o fluxo financeiro do segmento em sua cadeia produtiva – um indicador da dependência das vendas a outras empresas e da capacidade dos negócios capturarem créditos fiscais ao longo dessa rede.

Em segundo lugar, avaliou – se a sensibilidade à carga tributária líquida após as mudanças de regime. Por fim, consideraram variáveis que demonstram como os setores conseguem manter caixa suficiente durante todo esse processo transicional.

O impacto no novo IVA dual. Essa avaliação se baseia na lógica ampliada do sistema de crédito dentro do futuro Imposto sobre Valor Agregado (IVA) Dual brasileiro. O modelo atual não permite gerar crédito para o elo seguinte em parte dos impostos; já com essa novidade prevista pelo estudo, há uma maior capacidade de apuração desse direito fiscal nas cadeias produtivas inteiras.

Segundo a Omie, esta mudança tende justamente a penalizar empresas ou segmentos cuja passagem e geração desses créditos é interrompida — um cenário que seria característico daqueles optantes por permanecerem integralmente no Simples Nacional.

Indústria versus Serviços: Diferenças na adaptação

Dos 26 setores mais expostos identificados pela pesquisa estão distribuídos os seguintes grupos econômicos. São catorze da indústria, nove dos serviços prestados ao público e três do setor de construção civil e infraestrutura em geral

O motivo dessa exposição varia muito conforme o ramo atividade principal. Na área industrial, Beraldi aponta a preocupação com organização contábil e financeira; se essa gestão não estiver bem estruturada quanto aos créditos fornecedores, há uma tendência clara para aumento nos custos tributários.

Além dos setores mais expostos em geral, o estudo também sinalizou qual tipo empresarial pode sentir maior urgência na adaptação. Dentro desses 26 segmentos sob análise elevada, cerca de 1,1 milhão são empresas atualmente enquadradas como optantes no regime tributário simplificado (Simples São essas PMEs que devem lidar com a difícil decisão: se permanecerem integralmente nas regras tradicionais ou migrarem para um modelo chamado “Simples híbrido”. Este novo formato recolhe CBS e IBS seguindo as diretrizes do sistema regular — implicando uma alíquota superior —, mas permite gerar crédito completo aos clientes

A janela decisória está chegando rapidamente; o prazo inicial é em setembro deste ano. Os setores dentro dos mais vulneráveis incluem serviços especializados para construção civil, transporte terrestre de cargaspassageiros, atividades relacionadas à tecnologia da informação, manutenção equipamentos mecânicos até reparação deles, além das atividades auxiliares financeiras (seguros

Passos práticos antes da mudança

Já no segmento de serviços ocorre um problema que é considerado “estrutural”. Como grande parte das despesas desse modelo envolve mão de obra — ou seja, pessoal —, sobra menos espaço financeiro natural para gerar crédito fiscal suficiente, limitando as alternativas viáveis dentro da própria lógica do negócio. A vulnerabilidade dos optantes pelo Simples Nacional

Atualmente, 48% dos empreendedores não iniciaram a análise necessária ou estão apenas buscando informações superficiais sobre os impactos do novo sistema tributário na empresa

“O primeiro passo essencial dessa jornada e fazê – la menos traumática possível”, aconselha Beraldi. É fundamental que cada negócio valide se o cenário setorial apontado pelo estudo realmente corresponde com sua realidade operacional.

Para isso é preciso analisar profundamente tanto clientes quanto fornecedores para conseguir subsídios sólidos nas projeções futuras de caixa. Nesse processo complexo, ele sugere uma transformação no papel contábil: além da função fiscal básica, deve atuar como um consultor estratégico vital auxiliando a tomada das decisões mais importantes dos negócios.”

Por fim, segundo especialistas citados na Omie, não usar incertezas sobre qual será exatamente a alíquota final do IBS e CBS pode servir apenas para adiar análises cruciais; simulações são possíveis mesmo considerando cenários extremos ou conservadores.

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