Patrus Ananias entra nas contas do governo de MG após recusas

Patrus Ananias assume candidatura arriscada em MG após cenário político fragmentado; o que esperar do pleito em 2026?

20/07/2026 17:16

4 min

O deputado federal Patrus Ananias, em 15 de julho de 2026. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)
O deputado federal Patrus Ananias, em 15 de julho de 2026. (Foto...

O deputado federal Patrus Ananias não foi o primeiro ou segundo nome escolhido para disputar o governo de Minas Gerais neste ciclo eleitoral.

Sua pré – candidatura surgiu após uma série de recusas e fracassos: Rodrigo Pacheco se afastou da disputa; Marília Campos recusou convidar seu apoio como ex – prefeita de Contagem; Alexandre Kalil também disse “não”, somado ao insucesso das conversações com outros partidos políticos na região.

A trajetória política até a escolha tardia

Chamar sua entrada no pleito apenas de um “Plano D” seria, em certa medida, ser gentil. Patrus Ananias possui uma vasta experiência que o antecede — ele foi prefeito de Belo Horizonte, ministro do governo Lula e atuante professor universitário.

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Sua oratória é conhecida por misturar elementos da sala de aula acadêmica com os debates mais íntimos dos bairros; costuma ouvir atentamente quem fala antes de responder qualquer pergunta ou questionamento político importante.

O histórico profissional: compromisso popular desde 1993A preocupação política dele sempre esteve ligada às classes populares. Essa bandeira surgiu em sua gestão na Prefeitura de Belo Horizonte entre 1993 e 1996, período no qual ele se tornou o primeiro petista a governar aquela capital mineira

Neste tempo, Patrus Ananias criou estruturas importantes para as periferias da cidade, levando os moradores diretamente à tomada de decisões sobre obras públicas realizadas pela prefeitura; além disso, reabriu ainda o Restaurante Popular nos anos de 1994.

Ascensão nacional: do Bolsa Família ao auge dos votos

A segurança alimentar ganhou uma estrutura permanente durante seu mandato em Belo Horizonte. Essa experiência foi fundamental e acabou projetando sua carreira política no âmbito federal.

Em 1998, ele disputou a governadoria mineira e terminou na terceira colocação geral das eleições naquele ano. Quatro anos depois — já como deputado federal —, Patrus Ananias alcançou um recorde histórico para Minas Gerais com mais de 520 mil votos, marca que duraria duas décadas até ser superada por Nikolas Ferreira (PL – MG) apenas em 2022.

Ministério do Desenvolvimento Social. A ascensão veio ainda maior quando assumiu o recém – criado Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome em janeiro de2004. Foi ali que ele comandou a implantação bem conhecida programa Bolsa Família. Essa experiência levou parte da dinâmica administrativa desenvolvida na capital mineira diretamente ao centro político federal.

O desafio dos números: queda expressiva no poder

Ao longo desses anos, Patrus Ananias perdeu espaço nas decisões internas até mesmo dentro do próprio Partido dos Trabalhadores (PT). Em 2012, por exemplo, houve um rompimento entre PT e PSB perto das eleições; apesar disso, o deputado foi chamado para enfrentar uma disputa contra prefeitos cujas alianças foram construídas pelo seu partido quatro anos antes — mas acabou perdendo novamente em primeiro turno.

A comparação com os resultados mais recentes mostra a perda de força eleitoral. Se na primeira campanha pela Câmara Federal recebeu 520 mil votos no início da década, sua votação diminuiu drasticamente: registraram apenas 147 mil votos em 2014, pouco mais que 112 mil votes em 2018, e somente 87 mil votos nas eleições do ano passado.

O cenário político mineiro atual

Essa queda representa uma redução expressiva nos números pessoais dele; o PT perdeu um patrimônio histórico considerável ao longo dessas últimas décadas.

Hoje ele entra na disputa por Minas Gerais onde já há dois adversários fortes no páreo. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos – MG) aparece à frente da maioria das pesquisas, seguido pelo próprio Alexandre Kalil. Além deles está Mateus Simões (PSD – MG), governador que assumiu em 2022 e possui a estrutura estadual.

O partido petista também enfrenta desafios internos para montar sua chapa completa: negociam uma vice com PSB — entre os quais estão Josué Gomes e Jarbas Soares —, enquanto outras alas do PT ainda resistem às alianças necessárias ao pleito governamental de Minas Gerais neste momento histórico.

Patrus Ananias aceitou o desafio político após um longo período onde outros nomes foram testados, mas ele carrega consigo tanto seu reconhecimento quanto as marcas da queda na votação pessoal. Sua missão agora é construir em poucos meses todo o aparato necessário para Lula no estado mineiro.

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