Polícia Militar é Absolvida em Julgamento por Homicídio de Adolescente no Rio
O Tribunal do Júri do Rio de Janeiro decidiu nesta quarta-feira (11) pela absolvição dos policiais militares Aslan Wagner Ribeiro de Faria e Diego Pereira Leal, acusados de homicídio qualificado contra Thiago Menezes Flausino, um adolescente de 13 anos, vítima de um incidente na Cidade de Deus, zona oeste da capital, em agosto de 2023.
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Além disso, os agentes foram absolvidos da acusação de tentativa de homicídio contra Marcos Vinicius de Sousa Queiroz.
O julgamento, que se estendeu por dois dias, foi marcado por intensos debates entre a acusação e a defesa. Thiago e Marcos estavam juntos em uma motocicleta quando foram alvo de disparos de fuzil. Marcos Vinicius sofreu ferimentos na mão, mas sobreviveu ao ataque, e prestou depoimento, confirmando que Thiago não portava arma no momento do ocorrido.
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A decisão final, proferida pelo juiz Renan Ongaratto, indicou que, apesar de reconhecer a dor da família das vítimas, a decisão do tribunal reflete a “voz da sociedade”. A Anistia Internacional manifestou sua indignação com o resultado, criticando o foco na criminalização de Thiago, em vez de considerá-lo como vítima da letalidade policial.
O incidente ocorreu quando Thiago e Marcos caíram da moto em uma via de acesso à comunidade. No momento do ataque, os policiais estavam em um veículo particular e abriram fogo. Thiago foi atingido nas costas, inicialmente nas pernas e, posteriormente, no tronco.
Ele não tinha histórico criminal e seus boletins escolares atestavam uma frequência escolar superior a 90%.
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A defesa dos policiais argumentou que os jovens eram associados ao tráfico de drogas e que responderam ao fogo dos agentes. Eles apresentaram uma pistola que supostamente pertencia a Thiago e foi recolhida pelos policiais na cena do crime, uma alegação contestada pela acusação e pelas testemunhas.
A acusação destacou que os policiais alteraram suas versões do ocorrido em diversas ocasiões, buscando omitir informações relevantes. A defesa dos policiais também questionou a legalidade do uso de um veículo particular em operações policiais.
Durante o julgamento, foram ouvidas as testemunhas, incluindo Marcos Vinicius, o sobrevivente; Priscila Menezes, mãe de Thiago; vizinhos que filmaram o incidente; e o comandante da operação policial, que apoiou a versão dos policiais. Priscila Menezes descreveu seu filho como um menino “educado, carinhoso, sorridente e feliz”, que frequentava escolas de futebol e era um aluno assíduo.
