Produtores argentinos reduzem vendas de trigo e soja devido ao futuro incerto

Produtores argentinos freiam vendas de trigo e soja diante da incerteza sobre as safras futuras.

12/07/2026 21:22

3 min

Colheita de trigo em Azul, Argentina
Colheita de trigo em Azul, Argentina

Os agricultores argentinos estão vendendo uma quantidade excepcionalmente baixa da nova safra de trigo e soja até agora, apesar dos avanços rápidos nos trabalhos agrícolas em direção às safras 2026/27.

A Bolsa de Grãos de Rosário divulgou um relatório nesta sexta – feira apontando para volumes contratados abaixo das expectativas históricas e preocupações crescentes com o futuro estoque do grão amarelo argentino.

Vendas fracas sinalizam problemas futuros

O volume vendido apenas atingiu cerca de dois milhões de toneladas. Esse número representa um início particularmente fraco quando comparado aos últimos anos da década no setor agrícola local.

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Segundo a bolsa, os contratos firmes representam somente 10,5% da produção total prevista; esse índice está significativamente aquém dos cinco anos anteriores, que registravam uma média em torno de 16,6%. Além disso, quase sete centenas de milhão de toneladas ainda não têm preço definido para o trigo já comercializado.

Queda nos preços e desaceleração das vendas

A principal causa dessa lentidão nas transações é observada na queda acentuada do valor futuro. O contrato referente ao mês de dezembro caiu drasticamente: no final de abril ou meados de maio custava cerca de US231 por tonelada, mas chegou a flutuar até uns206 dólares iniciais julho.

Essa desvalorização levou os produtores argentinos a pausarem as intenções de venda em vez de fecharem negócios com valores mais altos para o trigo que ainda será colhido da lavoura.

Estoque e concorrência global

A Argentina pode terminar o ano acumulando estoques maiores se não conseguir manter um fluxo constante nas exportações. A bolsa estimou que os níveis finais dos estoque do ciclo 2025/26 cheguem aos cerca de quatro, cinco milhões de toneladas; este é considerado o maior nível desde o período entre 2014 e 2015.

Essa projeção ocorre mesmo considerando uma demanda interna estimada em nove vírgula dois milhões de toneladas para a região e recordes expressivos no volume destinado à exportação (cerca de dezessete milhões). No mercado internacional, há também mais concorrência acirrada por parte da Argentina.

Situação das safras secundárias

Os agricultores estão adiando as vendas não apenas do trigo. A soja segue com um ritmo lento: somente quatrocentos e vinte% da produção esperada foi comprometida até o momento; desse total baixo, 27% foram vendidos já sob preço fixo — este é considerado o menor índice registrado em três décadas na área rural argentina.

O milho apresenta uma melhora nas transações semanais de venda, subindo para aproximadamente oito centenas de milhares de toneladas desde final de maio. Esse aumento ocorre porque a colheita tardia está chegando ao mercado local argentino. Ainda que os preços continuem fracos – próximos aos US180 por tonelada –, essa pressão vem tanto do excesso ofertado dentro da Argentina quanto pelo volume abundante vindo diretamente no Brasil.

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