UHNWIs impulsionam crescimento no luxo imobiliário global

UhnwIs impulsionam expansão no setor imobiliário luxuoso global com projeção expressiva até 2031.

02/07/2026 13:15

4 min

Imóveis de luxo em São Paulo tiveram alta substancial no preço por metro quadrado, saindo de mais de R$ 30 mil antes de 2020 para entre R$ 60 mil e R$ 70 mil neste ano. Imóveis do topo do mercado têm
Imóveis de luxo em São Paulo tiveram alta substancial no preço p...

O mercado imobiliário de luxo no Brasil e globalmente continua atraindo a atenção dos investidores mais ricos do mundo. Enquanto o segmento geral enfrenta sinais recentes de estagnação na venda de imóveis de alto padrão — especialmente os acima de 180 m² —, um nicho específico, voltado aos ultra – ricos (UHNWIs), demonstra notável resiliência.

A definição para essa elite é clara: Ultra – High – Net – Worth Individual refere – se àqueles com patrimônio líquido superior a US 30 milhões. Segundo dados da consultoria Knight Frank em seu relatório anual Wealth Report, esse público não apenas cresce globalmente, mas também molda profundamente as decisões no consumo dos bens mais valiosos do mercado imobiliário e luxuoso.

Tendências globais apontam crescimento recorde de UHNWIs

O número mundial desses indivíduos atingiu um novo patamar histórico já em 713 mil pessoas somente neste ano (referência para 2026). Esse volume representa uma elevação expressiva próxima de 30% ao longo de cinco anos se comparado aos dados registrados por volta de meados de 2021. A projeção da Knight Frank é ainda maior, indicando que até o ciclo de 2031 a classe deve alcançar quase meio milhão e noventa oito mil habitantes.

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Essa crescente concentração global não apenas aumenta os investimentos no luxo — abrangendo carros caros ou serviços exclusivos —, mas também impulsiona diretamente um setor específico: imóveis superluxuosos em grandes centros urbanos como São Paulo.

No entanto, essa dinâmica contrasta com as estatísticas gerais do mercado paulistano neste momento.

Resiliência dos ultra – ricos apesar das altas taxas

Análises apontam para uma diferença crucial na decisão de compra desse público extremamente restrito comparado ao restante da população que adquire bens imobiliários. Para o UHNWI, a análise financeira tradicional perde parte do peso; ele preza por diferenciais e qualidades exclusivas acima de tudo.

Como citava Gaston Bachelard sobre os imóveis: “A casa é o nosso canto do mundo.”

De fato, enquanto dados recentes mostram um declínio no volume geral vendido em São Paulo— com unidades maiores (acima de 180 m²) atingindo seu pior nível desde 2017 —, especialistas observam vigoroso aquecimento na ponta mais alta desse mercado (“topo do topo”.

Bruno Cardoso, CEO da Grupo Lux Incorporadora, destaca que para valores superiores a R 20 milhões, “acontece outra conta”, pois esses clientes buscam diferenciais e não apenas calcular custos.

Esse público tende até mesmo a ignorar o alto patamar dos juros básicos ou as condições complexas de financiamento. Gustavo Cambauva, analista imobiliário do BTG Pactual, explica essa resiliência: ele afirma ser uma questão puramente econômica; um cliente com patrimônio líquido muito grande raramente depende exclusivamente de crédito bancário ao adquirir seu imóvel na planta em obras mais demoradas.

Mudanças no Plano Diretor impulsionam unidades maiores

Por outro lado da moeda — olhando para a oferta —, São Paulo passou por mudanças regulatórias significativas que alteraram drasticamente como os imóveis são construídos e vendidos hoje. André Mazini, head de Equity Research pela América Latina (Citi), aponta o plano diretor atual do município paulistano como fator chave nesse cenário.**

A revisão das regras desde 2024 foi fundamental porque vinculou as vagas de garagem à metragem quadrada nas Zonas de Eixo de Estruturação Urbana (ZEUs). Essa política pública mudou radicalmente quem tem direito ao benefício: unidades menores perdem vantagens antes garantidas pelo antigo código.

O impacto é visível nos números lançados em São Paulo; enquanto a quantidade total de microapartamentos e estúdios saltaram drasticamente, os incentivos atuais favorecem diretamente apartamentos com grandes metragens. Mazini ressalta que o plano atual visa frear justamente esse “boom” anterior dos espaços muito compactos na capital paulista.

Perspectivas do mercado imobiliário no luxo

A análise geral aponta para um cenário onde extremos se destacam mais neste momento econômico: ou são imóveis sociais subsidiados (MCMV), ou há altíssimo padrão residencial privado. William Lucio da Lucio Incorporadora complementa essa visão ao notar como a dinâmica de pagamentos beneficia as incorporadoras nesse segmento, pois os clientes chegam à entrega das chaves com uma parte maior já quitada em comparação aos demais setores.

O que antes representava o ápice dos preços — por exemplo, R 30 mil/m² —, hoje é considerado faixa inferior do mercado; Bruno Cardoso informa que falar no topo exige valores próximos entre R 60 mil e até R 80 mil pelo metro quadrado.

Apesar dessas variações nos custos unitários ou nas regras urbanísticas locais, para um comprador ultra – rico na compra desse tipo de ativo imobiliário superluxuoso a localização geográfica junto ao preço continuam sendo as duas variáveis mais analisadas.

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