Rei Kawakubo e Issey Miyake: O Poliéster que Reinava na Vanguarda da Moda

Poliéster: Crise na moda que preocupa! Microplásticos, impacto ambiental e escolhas ousadas de designers como Rei Kawakubo e Issey Miyake. Saiba mais!

27/05/2026 11:37

3 min

Rei Kawakubo e Issey Miyake: O Poliéster que Reinava na Vanguarda da Moda
(Imagem de reprodução da internet).

O Poliéster: Um Material em Crise no Mundo da Moda

O poliéster é, em sua essência, um tipo de plástico. Sua produção está intrinsecamente ligada ao petróleo, e o processo de decomposição do material é extremamente lento, levando décadas para se desfazer no meio ambiente. Além disso, a cada lavagem, o tecido libera microplásticos, um problema crescente para a saúde e o ecossistema.

O poliéster se destaca como o material mais utilizado na indústria da moda global, presente em diversas araras de marcas de luxo.

A Lógica por Trás da Escolha

A predominância do poliéster no mercado se deve a fatores práticos. O tecido não amassa facilmente, oferece boa elasticidade e possui um custo de produção relativamente baixo em larga escala. Uma de suas maiores vantagens é a capacidade de imitar a textura de tecidos mais sofisticados, como organza, chiffon e cetim, especialmente quando utilizado em blendagens.

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Para o setor do “fast fashion”, a decisão de usar poliéster é, em grande parte, uma questão de custo.

Poliéster na Vanguarda da Moda

No mundo do luxo, a relação com o poliéster é mais complexa. Designers de vanguarda têm utilizado o material como uma ferramenta técnica há décadas. Rei Kawakubo, da Comme des Garçons, é um exemplo notável, criando peças escultóricas com poliéster, incluindo o icônico look de Rihanna no Met Gala de 2017, conforme reportado pela ‘Marie Claire’.

Já a Issey Miyake desenvolveu, na década de 1990, a linha Pleats Please, utilizando o poliéster e um processo de calor que resulta em pregas permanentes, criando peças leves, duráveis e de fácil manutenção.

Desafios e Mudanças no Mercado

No segmento convencional do luxo, a situação é diferente. Com a queda nas vendas e o aumento dos custos de produção, algumas marcas têm optado por reduzir a qualidade dos tecidos, buscando alternativas como blends com poliéster. A CNN reportou que, entre 2025 e 2025, fabricantes receberam pedidos crescentes de substituições, como a troca de seda por viscose ou viscose por blends com poliéster.

Uma camisola que idealmente seria feita em seda pura pode acabar em um blend sintético para manter a margem de lucro.

Impacto da Inflação e Sustentabilidade

Entre 2023 e 2025, cerca de 80% do crescimento do mercado de luxo foi impulsionado por aumentos de preço, e não por um aumento no volume de vendas. Segundo o relatório State of Fashion 2026 da McKinsey em parceria com o BoF, o consumidor está disposto a pagar mais, mas muitas vezes recebe menos em termos de qualidade.

A alta dos preços do petróleo, intensificada pelo conflito no Oriente Médio, tem pressionado o custo do poliéster, afetando fornecedores na Índia e em Bangladesh. Apesar disso, algumas marcas de luxo, como Adidas, Patagonia e Nike, se comprometeram com a Textile Exchange a utilizar apenas poliéster reciclado até 2025, embora apenas 26% tenham cumprido a meta.

O mercado global de poliéster deve continuar a crescer, projetado para atingir US$ 210 bilhões em 2035, de acordo com a Future Market Insights. A moda ainda não abandonou esse material, mas a pressão por práticas mais sustentáveis e a busca por alternativas estão moldando o futuro da indústria.

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